Transexuais e travestis marcham por mais representantes LGBT na política

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Além do tema que contempla o ano eleitoral, a “3ª Caminhada pela Paz: Sou Trans, Quero Dignidade e Cidadania”, realizada neste sábado (27), falou em visibilidade e direito à vida

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Em celebração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado em 29/01, cerca de 500 manifestantes foram às ruas pelo direito à cidadania de pessoas trans e travestis. A concentração aconteceu às 13h, na avenida Paulista, e, depois, a manifestação seguiu até o Largo do Arouche, onde, perto das 18h, o ato deu espaço aos shows de encerramento com artistas LGBT como Danna Lisboa, Dellacroix, Valentin Nunes e Renata Perón.

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Para Erika Hilton, militante travesti negra, a luta pelos diretos trans deve ir muito além de reivindicar apenas uma cidadania. “Eu discordei desse tema, pois acho que falar em cidadania fica muito abrangente. A gente luta todos os dias, pois somos cidadãos. Na verdade, a desumanização de pessoas trans é o grande problema. É importante pedir acesso a todos os nossos direitos, não uma cidadania específica”, afirma.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A escolha do tema cidadania diz respeito ao ano eleitoral, como explica Renata Peron, 40 anos, presidente da CAIS (Associação Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais). “Entendemos que precisa ter representantes LGBT no Congresso Nacional. Sem cidadania não se constrói nada. A gente precisa demonstrar mais amor, não só falar, mas mostrar nas ações”, enfatiza a responsável pelo evento.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Militante e frequentador das três edições da marcha, o homem trans Luca Scarpelli, 27, conta que descobriu sua transexualidade no primeiro ato. “Na primeira marcha, eu vim teoricamente acompanhar uma amiga que é trans. Só que chegando aqui, vendo os homens trans, eu descobri quem eu era”, afirma Luca, que hoje mantém o canal Transdiário, no YouTube.

Renata Peron discursa durante o ato | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

O número de assassinatos de pessoas trans em 2017 foi outra pauta levantada no ato. Usando dados da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que mostra que 179 pessoas trans e travestis foram assassinadas no ano passado, manifestantes pediam o fim desses crimes.

“O ano passado foi o ano que mais se falou na população trans e, ao mesmo tempo, foi o ano em que mais se matou pessoas trans e travestis. Essas práticas são relacionadas a um discurso de ódio. Foi criado um pânico moral, dizendo que queremos destruir as crianças e as famílias, e isso faz com que essa violência cresça. É importante mostrar quem somos, mostrar que existimos e estamos ali como qualquer outra pessoa”, alega Leona Wolf, 36, professora e integrante do Coletivo LGBT Prisma.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Para Neon Cunha, 48 anos, publicitária trans, antes de pensar em marcha pela paz, as pessoas deveriam falar em marcha pela vida. “É engraçado chamarmos esse ato de uma marcha pela paz, quando na verdade ainda estamos buscando espaço para viver. A gente tem que avançar para outro processo. Eu quero uma marcha pela vida”, afirma.

O advogado e militante de direitos humanos, Renan Quinalha, também lembrou dos assassinatos. “O Brasil, ao mesmo tempo que tem a maior Parada LGBT do mundo, ainda tem índices muito alarmantes de violência contra pessoas LGBT. Foram 179 assassinatos de pessoas trans em 2017, por isso eu acho fundamental que pessoas trans organizem uma passeata própria, que reivindique visibilidade e reconhecimento”, afirma o militante.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Representante do coletivo Mãe pela Diversidade, Glaucia Velasos, 45 anos, acredita que o apoio familiar pode salvar jovens LGBT. “Temos que trazer a visibilidade das pessoas trans, pois elas estão à margem da sociedade, são tratadas como aberração. Não queremos nenhuma lei a mais nem a menos, queremos respeito e cidadania. Quando a família acolhe um filho LGBT, ele tem mais força de enfrentar a sociedade. Eles não escolhem ser assim, eles nasceram assim, tanto um filho trans ou um filho gay. Não existe cura, tem que existir respeito”, afirma.

Para Danna Lisboa, rapper trans, ainda é preciso falar mais das outras siglas do movimento LGBT, além do G. “Somos existências excluídas que vivem no submundo, longe da sociedade. No momento em que você coloca o seu corpo, a sua voz e a sua maneira de existir como pessoa, você questiona a existência da outra pessoa. Você se questiona como essa pessoa chegou a ter coragem de ser quem é. A cultura LGBT ainda é muito mais G, a cultura trans está vindo muito forte agora e queremos igualdade para todos”.

Confira mais imagens da marcha pelo fotojornalista da Ponte, Daniel Arroyo:

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
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