x
Legenda Teste

Ajude a Ponte

Você sabe que a Ponte está do seu lado. Mas, além de coragem, a nossa luta pela igualdade social, racial e de gênero precisa de recursos para se manter. 

Com uma contribuição mensal ou anual, você ajuda a manter a Ponte de pé. Além disso, garante acesso aos bastidores da nossa redação e uma série de benefícios.

Ajude a Ponte

Ação da PM em favela do RJ destrói casas e revolta moradores

03/09/19 por Leonardo Coelho, especial para Ponte

Compartilhe este conteúdo:

Ação do BOPE com ‘caveirões’ destruiu casas e fiação na Cidade de Deus; PMERJ admite responsabilidade e diz que irá ressarcir moradores atingidos

Uma ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro na Cidade de Deus, zona oeste, por volta das 6h desta terça-feira (3/9), provocou destruição e revolta dos moradores da comunidade, que fecharam parte da Rua Edgard Werneck, altura da Linha Amarela, e queimaram pneus.

Um blindado do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), a tropa de elite da PM fluminense, forçou a entrada na favela e danificou várias casas na localidade conhecida como “Casinhas Novas”. A região, por conter construções improvisadas, é bastante estreita e de difícil acesso, ainda mais para um “caveirão”.

Caveirão do BOPE força passagem em rua estreita, destruindo casas e fiação | Foto: arquivo pessoal

Moradores relataram à Ponte que o “caveirão” entrou na região por volta das 6h. Entretanto, ao invés de parar no início da área das Casinhas, como de costume, o blindado simplesmente prosseguiu, levando fiação, portas e telhados dos frágeis barracos. A reportagem recebeu relatos de ao menos 8 casas danificadas em diferentes graus. Até o momento, não há eletricidade na região. Dentre os moradores, não há relatos de feridos porque muitos já haviam saído para trabalhar, mas as imagens mostram o rastro de destruição provocado pelo veículo e o protesto em reação à ação da PM.

“Após eu deixar meu marido na porta de casa para ele trabalhar, o ‘caveirão’ chegou do nada. Eu tive que segurar o filho de uma vizinha para ele não ser atropelado”, lembra uma moradora, que não quis se identificar por temer represálias. “Eles simplesmente não paravam. Na minha casa eles levaram a porta, mas em outras levaram até os telhados. Eles destruíram também meu carrinho de compras e até minha lixeira que tava do lado de fora, que eu trabalhei muito pra comprar.”

Algumas casas tiveram portas e telhados destruídos | Foto: arquivo pessoal

Revoltados, os moradores protestaram nos arredores da Cidade de Deus com barricadas e fogo na via. Houve interdições na Rua Edgard Werneck, altura da Linha Amarela, e na Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes. “Isso é desumano, passar em por cima de barraco com criança dentro. Isso foi ordem do BOPE, do governador”, diz um morador que participava no protesto, em vídeo gravado por outro manifestante, em crítica direcionada ao governador Wilson Witzel, que tem adotado políticas e posturas que tem trazido como resultado o aumento de mortes e da violência, especialmente nas favelas.

“Onde está o governador? E o presidente que pediu votos? A gente mora aqui porque a gente precisa, porque se eu pudesse já tinha saído”, disse outra moradora, pouco antes de desligar o telefone para tomar um remédio para baixar sua pressão por conta do nervosismo.

A PMERJ disse à reportagem que o BOPE foi à localidade “checar informação do setor de inteligência” e que o veículo blindado de transporte de tropa ficou preso em fios elétricos. “Dois policiais desembarcaram para retirar os fios com segurança, porém ao sair daquele local, o blindado chocou-se com algumas moradias”, diz a reposta oficial.

Ainda na nota, a Polícia Militar esclareceu que entrará em contato com os moradores e que irá ressarcir os danos provocados pela passagem do blindado.

Já que Tamo junto até aqui…

Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

 

Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

Ajude

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo:

>