Artista trans denuncia que PMs a agrediram e fraturaram seu braço

MC Kardashiann conta que estava em ponto de táxi na capital paulista quando viatura teria parado e dois policiais a golpearam com cassetete na terça (21); jovem está internada em hospital

Raio-X feito na AMA Sé, às 23h41 de 21/12, mostra fratura no braço de Vitoria Nascimento Santos | Foto: Arquivo pessoal

Na noite desta terça-feira (21/12), por volta das 21h, Vitoria Nascimento Santos, conhecida como MC Kardashiann, 33, conta que estava parada em um ponto de táxi na Rua Cenno Sbrighi, em frente à Praça Marechal Carlos Machado Bittencourt, na zona oeste da cidade de São Paulo, para esperar um motorista de aplicativo para ir a uma festa.

“Estava conversando com um rapaz que estava no ponto e tinha uma mulher do lado também”, lembra. De acordo com ela, apareceu uma viatura da PM no local. “Dois policiais saíram e um já foi me agredindo, agrediu a mulher, mas ela saiu correndo”, denuncia. Ela afirma que colocou o braço na frente para tentar se proteger dos golpes de cassetete. “Bateram e [foi] onde teve a fratura do meu braço”, prosseguiu. De acordo com ela, o PM era branco, alto, forte, de cabelo curto.

Por estar de salto, ela disse que acabou caindo quando tentou correr e fugir das agressões. “Eles continuaram me batendo no chão”, relata. “Eu não sei se eles estavam procurando alguém, mas já chagaram agredindo todo mundo, eu não estava esperando aquilo, eu perguntava por que eles estavam fazendo aquilo e só diziam para sair dali”.

A artista conta que ela mesma foi sozinha buscar atendimento médico, primeiro em direção à AMA (Assistência Médica Ambulatorial) da Sé, no centro da cidade, e depois foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde está internada, porque o equipamento não tinha ortopedia. “Amanhã (25/12) vou fazer uma cirurgia no braço porque quebrou um osso”, declarou.

Vitoria acredita que a violência foi motivada por transfobia. “Eu acho que [foi] por eu estar montada porque só continuaram a me agredir naquele momento e não [agrediram] o rapaz que estava do meu lado”. De acordo com ela, além da mulher que correu, também estavam no ponto de táxi dois rapazes que fugiram.

Como está hospitalizada, ela ainda não conseguiu formalizar um boletim de ocorrência. O ativista de direitos humanos Darlan Mendes, ao saber do caso, fez a denúncia à Ouvidoria das Polícias e solicitou possíveis imagens de câmeras de segurança do local. “O caso da Kardashiann infelizmente é mais um caso de transfobia, mas uma transfobia acontecendo por um servidor público, um policial militar do estado de São Paulo, que era para nos dar proteção, que era para dar flagrante e prisão em quem faz esse tipo de preconceito, e usando a farda é quem comete crime”, destacou. “A importância da denúncia é grande, vamos denunciar o abuso, a violência, porque o policial bom existe, mas o mau tem que ser preso e condenado”.

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À Ponte, ele encaminhou uma resposta da Ouvidoria confirmando a formalização da denúncia e que encaminhou o caso para a Corregedoria da PM.

O que diz a polícia

A reportagem questionou sobre o caso à Secretaria de Segurança Pública. Em nota, a InPress, assessoria terceirizada da pasta, informou que só poderia responder sobre a solicitação na segunda-feira (27/12) por estar em esquema de plantão e priorizar fatos do dia.

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