Bilhete indica que PCC teria ordenado série de ataques em MG e RN

Estados tiveram ônibus incendiados, fogo em agências bancárias e Câmara Municipal, e até tiros disparados contra delegacia; PF é acionada para colaborar com as investigações

Um dos ataques em MG aconteceu contra ônibus estacionados em garagem | Foto: reprodução/Magaiver TV

Uma série de ataques registrados em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte neste fim de semana teria sido ordenado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). Desde o sábado (2/6), o Rio Grande do Norte registra ataques a ônibus e, no domingo (3/6), os crimes começaram a acontecer em ao menos 17 cidades de Minas Gerais, com veículos incendiados, tiros disparados contra delegacia e incêndio em uma Câmara Municipal. Um bilhete aponta a facção paulista como mandante dos ataques.

Segundo apurado pela Ponte, o bilhete foi encontrado pela polícia mineira no incêndio de um ônibus em Itajubá, na região sul do Estado.  Além disso, a polícia apura se alguns áudios que circularam pelo Whatsapp seriam do PCC. A mensagem atribuía à facção criminosa a ordem para os ataques com objetivo de reivindicar melhores condições nos presídios de Itajubá, em Minas, e em Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. A PF (Polícia Federal) dos dois estados investigam os crimes. Em janeiro do ano passado, um massacre justamente dentro do Presídio de Alcaçuz deixou pelo menos 29 mortos.

A série de crimes teve início no sábado (2/6). Homens encapuzados queimaram dois ônibus no Rio Grande do Norte: um na capital Natal e outro em São Gonçalo do Amarante, município na região metropolitana. Em Minas Gerais, os ataques atingiram 17 cidades a partir da tarde de domingo, com casos de ao menos 24 ônibus queimados, fogo em agências bancárias, tiros disparados contra a delegacia de Cruzília, no sul do estado, e tentativa de incêndio na Câmara Municipal de Passos. Há casos de veículos queimados ainda nas garagens das empresas de transporte.

“Especula-se que sejam crimes ordenados por facções criminosas e podem, sim, ter relação com demandas vindas de dentro dos presídios”, declarou em coletiva de imprensa o major Flávio Santiago, chefe da assessoria de imprensa da PM mineira. “É importante frisar que esses ataques não aconteceram somente em Minas Gerais. Aconteceram em outros estados. Temos informação do Rio Grande do Norte. Quer dizer, não foi uma ação direcionada a Minas Gerais”, prosseguiu. O major citou também ações em Campinas, no interior de São Paulo, onde foi registrado o 12º ataque a ônibus em uma semana. Contudo, as causas ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP (Ministério Público) de Minas Gerais confirmou à Ponte que atua nas investigações “com outros órgãos da segurança pública” do estado. Contudo, pontuou que não “detalha investigações em andamento”.

A PM mineira, comandada pelo governador Fernando Pimentel (PT), informou em nota que conduziu 30 pessoas por supostas ligações com a onda de violência e oito delas tiveram prisão decretada. As ocorrências aconteceram nas cidades de Itajubá, Brasópolis, Monte Santo de Minas, Lagoa Prata, Passos, Guaxupé, Alfenas, Poços de Caldas, Uberaba, Uberlândia, Pouso Alegre, Cruzília, Varginha, Belo Horizonte, Araxá, Três Corações e Santa Luzia.

Em nota divulgada aos jornalistas, o governo de Minas Gerais explicou que Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública), Seap (Secretaria de Estado de Administração Prisional), PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros atuam de forma “integrada” para “esclarecimento das motivações” dos ataques, mas não detalha o trabalho até o momento. “Entretanto, apesar de entender todo o desejo de mais detalhes oriundos da imprensa, é imprescindível o sigilo das ações e investigações que estão sendo desenvolvidas, potencializando, desta forma, o objetivo final que é o esclarecimento dos fatos para a sociedade”, sustenta.

Questionada pela reportagem, a Polícia Federal de Minas confirmou que atua em parceria com a Polícia Civil do estado na apuração dos crimes, porém, informou que “não comenta investigações em curso, para que seja preservado o bom andamento dos trabalhos”, seguiu, também em nota.

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