‘Desaparecidos’ conta histórias de sumiços no Brasil e tráfico de bebês

    Série estreia segunda temporada com foco para casos no exterior; um dos destaques será rede de tráfico de bebês para Israel, tema de 15 episódios

    “Como é possível uma pessoa a desaparecer?”. Encontrar resposta para esta pergunta motivou o diretor Anderson Jesus a criar uma série: Desaparecidos. Em meio à 250 mil casos por ano, a proposta é mostrar os motivos para o sumiço de uma pessoa, o que ocorre a cada 11 minutos no Brasil. Doenças mentais e descuidos de parente são retratados na primeira temporada, veiculada no canal A&E, em 2015. A partir desta quarta-feira (25/10), a segunda temporada traz novas histórias, entre elas uma rede de tráfico de bebês para a Europa e Israel.

    “Pelo que a gente percebe, há um certo abandono dessas famílias. Principalmente se são famílias periféricas, há um certo preconceito. Por exemplo, se é um jovem negro que desapareceu, a primeira pergunta que é feita para uma mãe que vai à uma delegacia é se o jovem está envolvido com drogas, com o crime. E muitas vezes não está. Se é uma garota, menina de 13 ou 14 anos, a primeira coisa que falam para a mãe ou pai em busca da criança ou adolescente, além de estar envolvida com drogas, se está envolvida com algum namorado”, relata Jesus à Ponte.

    São 13 episódios por temporada, formados cada um por dois casos: um solucionado e um com a pessoa ainda sumida. As histórias são contadas e, no fim, há a descoberta de quem foi encontrado e um telefone de contato para, caso o telespectador tenha notícia, dê informações sobre quem ainda está desaparecido. A partir da segunda temporada, os relatos passam a fronteira do Brasil e esbarram em uma rede de tráfico de bebês com destino a Israel. Com mais de 3 mil casos relatados, os idealizadores da série programam a terceira temporada focada no país: serão 15 episódios com 30 casos de crianças brasileiras adotadas por famílias israelenses.

    Há um medo por denunciar uma rede de traficantes? Jesus explica: “Eu não temo nenhum tipo de represália. Quando você é negro e da periferia, por conta dos percalços e dificuldades da vida, você acaba não temendo muita coisa. Já sofremos todo e qualquer tipo de perseguição ao longo da nossa vida, então não tenho muito receio até porque penso que estamos apenas fazendo o bem. Só queremos ajudar essas pessoas a encontrarem as suas famílias. E a gente tem o cuidado de não expor o outro lado quando não há certeza de quem são. Só falamos de pessoas que foram julgadas, o juiz já falou ‘você é culpado'”, diz.

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