Família afirma que PM atirou no rosto e matou entregador de pizza em SP

12/02/20 por Arthur Stabile

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Leandro da Silva, 25 anos, estava conversando com um amigo quando viatura passou e PM, sem abordá-lo, teria disparado de dentro do veículo

Leandro (à esq.) teria sido morto com um tido no rosto dado por um PM | Foto: Arquivo pessoal

A família do motoboy Leandro da Silva, 25 anos, afirma que o jovem foi executado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo na noite de domingo (9/2). O jovem trabalhava como entregador de pizza na Vila Nova Galvão, zona norte da cidade de São Paulo.

Segundo o relato de amigos, o jovem tinha ido a um churrasco em sua folga e estava esperando a sua companheira para sair. Foi quando parou com a moto para conversar com um amigo. Neste momento, por volta de 23h, uma viatura teria aparecido e impedido a sua passagem.

Um familiar de Leandro, que aceitou falar com a Ponte sob a condição de anonimato, ouviu de uma testemunha que o policial não anunciou a abordagem. “Ele ficou parado. Foi aí que o policial colocou a mão para fora da viatura e disparou a arma na cabeça dele”.

O jovem trabalhava em uma pizzaria à noite e, durante o dia, realizava entregas para um restaurante. Antes de morrer, ele chegou a encomendar uma pizza. Ao ser atingido, ele caiu com sua moto no chão e uma das pernas ficou pressionada pelo veículo.

O desespero tomou conta dos moradores logo em seguida ao disparo que atingiu Leandro, conforme vídeos obtidos pela Ponte. “Meu Deus, meu Deus, meu marido!”, gritava desesperada a companheira de Leandro. “A polícia acabou de matar o ‘zóio’, o Leandro, aqui na quebrada. Olha o absurdo. Ninguém faz nada pela população”, desabafou uma mulher que registrava a cena.

Uma multidão cercou o veículo que caiu sobre o entregador. “Ele é trabalhador!”, gritou, desesperada, uma jovem. “Ele não é ladrão, atiraram nele”, um homem disse. Em outra cena, os moradores filmaram o policial que teria disparado contra Leandro.

Jovem estava em churrasco com amigos em sua folga antes de morrer | Foto: Arquivo pessoal

Testemunhas contam que os PMs não deixaram que eles acionassem o Serviço Móvel de Urgência para prestar atendimento médico. “Não deixaram ninguém salvar ele. Tentaram impedir a mãe dele de chegar perto e disseram que não sabiam o que tinha acontecido”, conta uma parente da vítima.

Na noite de terça-feira (11/2), moradores da região protestaram colocando fogo e bloqueando o tráfego na rodovia Fernão Dias, que corta o bairro. Eles queimaram pneus e chamavam atenção para a morte de Leandro.

“Nós queremos paz para a favela, rapaziada. É só isso que nós queremos”, explicou um dos manifestantes em vídeo do protesto. Eles mostravam aos motoristas uma faixa escrito “o menino do morro virou anjo #Luto_Zoio”, como Leandro era conhecido na região.

“Só queremos paz e a justiça. Mais um jovem sonhador, trabalhador da periferia é vítima”, lamentou uma amiga de Leandro, que pediu para não ser identificada, em conversa com a Ponte.

Faixa feita por amigos em protesto pela sua morte | Foto: Reprodução

A Ponte perguntou à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, liderada neste governo de João Doria (PSDB) pelo general João Camilo Pires de Campos, as circunstâncias da morte de Leandro da Silva e se o PM, de fato, atirou no motoboy sem nem sequer ter feito a abordagem. Até a publicação desta reportagem, a InPress, assessoria de imprensa terceirizada da pasta, não respondeu ao pedido.

O mesmo foi questionado para a PM, comandada pelo coronel Marcelo Vieira Salles. A corporação não detalhou a ação na Vila Nova Galvão, apenas disse que o Corpo de Bombeiros socorreu o entregador e explicou que “em razão dos fatos” foi instaurado inquérito para apurar “todas as circunstâncias” da morte de Leandro da Silva.

“A Corregedoria acompanha as investigações”, pontuou a PM, destacando que o primeiro registro da ocorrência foi feito no 73º DP (Jaçanã) e posteriormente no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, órgão da Polícia Civil responsável pela investigação do caso.

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