Justiça nega pedido da Promotoria para arquivar investigação de tortura praticada por PMs

Afonso Trudes mostra marcas que, segundo ele, foi deixada por espancamento praticado por PMs

Segundo juiz, arquivar investigação, como quis a Promotoria de SP, seria estimular a prática de mais crimes

O juiz Cláudio Juliano Filho, do DIPO (Departamento de Inquéritos Policiais), do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou segunda-feira (09/05) o pedido do Ministério Público Estadual para arquivar o inquérito policial que investiga policiais militares por tortura.

Os PMs haviam prendido um homem sob suspeita de usar uma arma de brinquedo para roubar R$ 60 e um telefone celular.

20160511 Caramante - Tortura
Afonso Trudes mostra marcas que, segundo ele, foi deixada por espancamento praticado por PMs – Reprodução

“O arquivamento pura e simplesmente do inquérito, sem nenhuma consequência para o autor do delito, seria verdadeiro estímulo para a reiteração da prática de crimes”, escreveu o magistrado Juliano Filho, ao negar o pedido de acabar com o inquérito feito pela da Promotoria.

A prisão em flagrante do sargento Charles Otaga, 41 anos, em 20 de outubro de 2015, fez com que alguns membros das polícias Civil e Militar acirrassem o clima de disputa e animosidade entre as duas instituições. Otaga ficou três dias preso.

Na noite da prisão do militar, o 103º DP (Cohab José Bonifácio), na zona leste de São Paulo, foi cercado por militares e civis. Os primeiros protestavam contra a prisão de Ogata; os civis foram apoiar o delegado Raphael Zanon, responsável pela prisão do sargento Otaga.

Foi ao delegado Zanon que Afonso de Carvalho Oliveira Trudes, 23 anos, relatou os possíveis crimes praticados por Otaga e os outros PMs que acompanhavam durante sua prisão.

Afonso Trudes relata à Polícia Civil os espancamentos que afirma ter sofrido de PMs de SP

Para sair do 103º DP na noite da prisão em flagrante do sargento Otaga, o delegado Zanon precisou ser escoltado por policiais do GOE (Grupo de Operações Especiais), da Civil.

Laudo do IML (Instituto Médico Legal) atestou que Trudes tinha lesões no pênis, nádega, coxas, braços e nas costas. Ele afirmou ter sido torturado com choques elétricos aplicados por uma máquina que os PMs transportavam no carro da polícia. A sessão de tortura, segundo Trudes, durou cerca de 15 minutos e ocorreu dentro do carro da PM.

Em sua versão para as lesões em Trudes, o sargento Otaga disse que elas apareceram porque o preso por roubo havia caído da bicicleta usada por ele durante a fuga dos PMs.

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