Ouvidoria da Polícia pede providências sobre a morte de Luana Reis, espancada por PMs de SP

27/04/16 por André Caramante

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Por Alê Alves, especial para a Ponte Jornalismo

O ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves solicitou à Procuradoria Geral de Justiça que designe um promotor para já passar a acompanhar as investigações. Luana era mãe, negra, pobre e lésbica

Ouvidoria da Polícia de São Paulo solicitou à Procuradoria Geral do Estado, ao IML (Instituto Médico Legal) e às polícias Civil e Militar informações sobre a morte de Luana Barbosa dos Reis, ocorrida cinco dias após ela ser agredida por policiais militares no Jardim Paiva II, na periferia de Ribeirão Preto (SP).

Na  última segunda-feira (25), o ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves requisitou ao diretor da Delegacia Seccional de Polícia de Ribeirão Preto, João Osinski Júnior, informações sobre os “procedimentos instaurados sob os números de Boletins de Ocorrência 7370 e 7756/2016”, referentes à morte de Luana.

O ouvidor também solicitou ao Corregedor da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Levi Anastácio Felix, os procedimentos registrados na Corregedoria acerca da morte de Luana após ela ficar internada  “devido a lesões causadas segundos testemunhas e familiares, por espancamento” efetuado pelos policiais militares Douglas Luiz de Paula, Fabio Donizetti Pultz e  André Donizeti Camilo “durante uma abordagem”.

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Luana tinha 34 anos, era mãe de um menino, de 14 anos, e vivia na periferia de Ribeirão Preto (SP)

Procurado desde o dia 19 de abril para se manifestar sobre a morte de Luana, o comandante-geral da PM, coronel Ricardo Gambaroni, ficou em silêncio. O mesmo aconteceu com o Setor de Comunicação da PM.

A reportagem também solicitou entrevista com os três PMs investigados por causar a morte de Luana, mas a PM não atendeu o pedido.

Ao IML (Instituto Médico Legal), Fernandes Neves solicitou uma cópia do Laudo de Exame Necroscópico com “respectiva representação gráfica da vítima”.

Por fim, foi solicitada ao Procurador Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernandi Elias Rosa, “a possibilidade de designar” um Promotor de Justiça para acompanhar o caso.

Morta após agressões

Segundo familiares de Luna entrevistados pela Ponte, na noite do dia 08 de abril,  Luana levava seu filho a um curso de informática no centro da cidade quando parou em frente a um bar para cumprimentar um amigo. Ao ser abordada por policiais militares que circulavam na área, Luana recebeu um soco e um chute ao perguntar por que estava sendo revistada, agressões que a fizeram cair no chão.

Ao se levantar, Luana desferiu um soco na boca de um policial e um chute no pé de outro, sendo então espancada pelos PMs com socos, chutes, cassetetes e o capacete que usava, ainda de acordo com familiares.

Levada para o 1o Distrito Policial da cidade, Luana se encontrava com hematomas, semi-consciente e sem forças para permanecer em pé quando teve de assinar um TC (Termo Circunstanciado) registrado por desacato à autoridade e lesão corporal.

Após cinco dias internada, alguns dos quais em coma, Luana morreu em decorrência de uma isquemia cerebral causada por um traumatismo cranioencefálico. “Ela pagou o preço por parecer um homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia são. Lésbica, negra e periférica com passagem pela polícia, ela já era considerada culpada”, disse Roseli dos Reis, 36 anos, irmã de Luana, à Ponte.

Colaborou André Caramante, da Ponte Jornalismo

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