PM atira nas costas de jovem em suposto confronto, mas não encontra arma

Após ser baleado pela polícia, Ítalo Silva Gonzaga, 18 anos, foi encontrado morto junto a um córrego na zona leste de SP

Trajando apenas uma bermuda azul e vermelha e com ferimentos de balas nas costas, o entregador de pizza Ítalo Silva Gonzaga, 18 anos, foi encontrado morto na tarde deste domingo (17/12), à margem de um córrego na Rua dos Jasmins, em São Rafael, na zona leste da cidade de São Paulo.

A Polícia Militar afirma que o jovem teria atirado contra uma dupla de policiais, mas nenhuma arma foi encontrada com ele. Também não explicou como um suposto confronto terminou com tiros nas costas.

“Ele era um menino muito querido, uma pessoa maravilhosa. Não tem como explicar o que ele era para nós.” Assim o jovem, que trabalhava como entregador de pizza, é definido por Jeniffer Priscila Romagnoli, sua amiga há 6 anos.

A morte de Ítalo foi registrada como “morte decorrente de oposição à intervenção policial” pelo DHPP (Departamento Estadual de Homicídio e Proteção à Pessoa).  De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais militares Gezio Almeida Macedo e Francisco Ramon Marques de Almeida contaram que foram para a rua dos Jasmins após receber uma denúncia, via Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), de que ali havia duas pessoas em uma motocicleta de grande porte se exibindo em manobras perigosas e realizando disparos de arma de fogo.

Ítalo Silva Gonzaga, morto aos 18 anos | Foto: Facebook

Depois de quase bater contra a viatura policial, dois jovens que estavam numa moto teriam se desequilibrado e caído. Após a queda, cada um correu para um lado e os policiais perseguiram Ítalo, que estava na garupa. De acordo com o B.O., após o garupa efetuar dois disparos com revolver de cano curto em direção de Gezio, o policial, “visando fazer cessar aquela injusta agressão e em defesa de sua integridade física” revidou com três disparos e perdeu o suposto atirador de vista, por ele ter se embrenhado no mato.

Logo depois, moradores do bairro encontraram Ítalo baleado junto ao córrego e acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Uma ambulância foi até o local, mas ele já estava morto. Embora Italo exibisse fotos com armas nas redes sociais, a equipe especializada da Polícia Civil não encontrou nenhuma arma com o jovem. O rapaz que dirigia a moto não foi encontrado.

Quando foram ao 49º Distrito Policial (São Mateus) registrar a ocorrência, Gezio e seu parceiro não mencionaram o corpo de Ítalo, nem os tiros nas costas. Segundo a versão oficial, eles só ficaram sabendo disso quando já estavam na delegacia e outros policiais chegaram informando sobre o encontro do cadáver.

Segundo a polícia, a moto apreendida com Italo havia sido roubada e ele teria sido reconhecido, por meio de uma foto, pela vítima do assalto.

A ação foi gravada pela câmera de segurança de uma residência particular e as imagens foram cedidas à família e amigos de Ítalo, que as divulgou nas redes sociais. Para Jeniffer, a história contada pelos policiais não confere com as imagens da câmera de segurança.

Ítalo Silva Gonzaga, morto aos 18 anos | Foto: Facebook

“A própria mãe dele disse que ele saiu de casa com o celular, sem camiseta, de shorts e chinelo. Pessoas que estavam ali próximo momentos antes o viram. Se ele estivesse armado daria para ver. Uma certeza eu tenho: foi covardia, ele tomou tiros nas costas por covardia”, complementa Jeniffer.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) esclareceu que o caso está sendo “investigado em inquérito policial pela Equipe D Leste da 2ª Delegacia da Divisão de Homicídios”. Também segundo a nota, “a Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso e também instaurou IPM para apurar a conduta dos policiais militares envolvidos na ocorrência”.

Manifestação

Amigos e familiares de Ítalo organizaram uma manifestação na noite do homicídio (17/12), na Avenida dos Sertanistas, próximo ao local onde Ítalo foi morto.

De acordo com Jeniffer “depois da manifestação a polícia não deixou a mãe do Ítalo chegar perto do corpo. Eles fecharam a rua e não deixaram a família ver”.

Segundo ela, o protesto, que deveria ser pacífico, foi tumultuado pela ação dos policiais, que dispararam balas de borracha nos manifestantes.

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