PM nega excesso nas ações durante as manifestações

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (5), comandante do CPC afirma que polícia só tem respondido aos ataques dos manifestantes, culpa black blocs e diz que as 27 detenções do domingo foram feitas dentro da legalidade

Mudança de trajeto, vandalismo, ataque direto aos policiais e nenhum excesso nas ações durante as manifestações contra o governo Temer. Essas foram as principais afirmações contidas no discurso oficial da Polícia Militar para justificar a forte repressão no ato do domingo, durante coletiva de imprensa concedida pelo comandante do CPC (Comando de Policiamento da Capital), Dimitrios Fyskatoris, na sede do Copom, na Luz, centro de São Paulo. Segundo o coronel, não houve excesso até o momento: “A polícia atua de acordo com a lei. Não reconheço nenhum excesso que tenha chegado ao meu conhecimento. A PM vai continuar seguindo os protocolos adotados no mundo inteiro”.

Na semana passada, no entanto, a estudante universitária Deborah Fabri perdeu a visão do olho esquerdo durante um dos atos ao ser atingida por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo. Além disso, desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o início das manifestações, há relatos de detenções abusivas e ataques a jornalistas, ainda que devidamente identificados: “A PM só responde a injusta agressão. As pessoas que se sentem atingidas que denunciem a Corregedoria da Polícia Militar, para que então seja apurado”, concluiu.

No encerramento do ato ocorrido no domingo, que começou na Avenida Paulista e terminou no Largo da Batata, manifestantes afirmam que sem qualquer justificativa, o Choque da PM foi chamado e lançou bombas, provocando pânico e ferindo pessoas. O comandante do CPC nega. “A polícia está sendo agredida sistematicamente por pessoas que se apresentam como manifestantes, mas promovem o que chamamos de resistência ativa, com ataques com pedras, garrafas e artefatos explosivos”, afirmou. Apesar de ter falado sobre agressão contra policiais, disse que não houve qualquer PM ferido ao final do ato.

O coronel Dimitris Fyskatoris nega que haja diferença de ação por parte da PM nos atos a favor e contra o impeachment. “A polícia militar não tem vocação político-partidária. Ela deve atender ao cidadão”, afirmou. Além disso, disse que, na visão dele, a maioria das manifestações é pacífica e que a violência não pode ser aceita.

Os detidos

Quando questionado sobre o termo “atitude suspeita”, usado para justificar as detenções ocorridas no início da manifestação, o comandante do CPC disse que toda a abordagem foi feita em via pública – negando, portanto, a informação de que detenções tenham acontecido no Centro Cultural São Paulo – e que as pessoas foram tranquilamente abordadas e, em entrevista feita no exato momento, teriam afirmado que a intenção era promover vandalismo: “Essas pessoas  admitiram que faziam parte de um grupo que estava se reunindo para provocar atos de desordem pela cidade, que eram parte de várias células que estavam espalhadas pela cidade”, segundo o coronel, para incitar a violência na manifestação.

Além disso, disse que, entre os 26 detidos e encaminhados ao Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) – o 27º foi encaminhado a uma delegacia, na região de Pinheiros –, existiam pessoas com antecedentes em atos de vandalismo. “O critério adotado pela polícia judiciária foi feito através das oitivas e adotou as medidas, tenho certeza dentro da lei”, concluiu, sem, no entanto, responder sobre a reportagem da Ponte Jornalismo que traz relatos de manipulação de provas por parte da PM e uma entrevista com o soldado da PM Marcelo Adriano Nowacki.

Por fim, a assessoria de imprensa da PM divulgou uma nota intitulada “Não se muda um país com violência” e novamente afirmou que a corporação está sendo vítima de julgamento precipitado ao ser responsabilizada pelo início do que chamou de confusão ocorrida no Largo da Batata. Disse também que “repudia a tentativa de utilização indevida de sua imagem, pois atua sempre no imparcial objetivo de garantir a ordem”.

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