Preso em flagrante forjado no RJ, segundo família, jovem negro é libertado

06/08/19 por Carolina Moura, especial para Ponte

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Weslley Rodrigues foi preso durante operação policial no Complexo do Alemão, no Rio, há uma semana; ‘Deus é justo. Eu sei que ele é inocente’, diz mãe do jovem

Weslley Rodrigues, 21 anos, estuda e trabalha | Foto: arquivo pessoal

O estudante Weslley Rodrigues, 21 anos, preso desde terça-feira passada (30/07), acusado pela polícia de portar radiotransmissor do tráfico, vai responder o processo em liberdade. Ele foi preso em uma operação policial no Complexo do Alemão, na região da Grota, zona norte do Rio de Janeiro. Familiares afirmam que a polícia forjou o flagrante e defendem que o jovem é inocente.

A mãe de Weslley, Alexandrina Cunha Rodrigues, afirmou que a prisão do rapaz foi por ser morador da favela e negro. À Ponte, ela confessou que não sabe o que fazer com tanta felicidade quando soube da soltura do seu filho. “Deus é justo. Não consigo nem falar. Eles deram o habeas corpus para o meu filho!”, disse em áudio enviado à reportagem logo após a decisão da juíza Simone Rolim, da 29ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do RJ.

“Se eu estou agora gritando, é porque tenho certeza: meu filho não estava com rádio nenhum. Eu sei quem é meu filho, por isso estou aqui. Ele é inocente, não é traficante. Nenhuma mãe mostraria o rosto para mentir” finalizou. 

De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, testemunhas disseram que Weslley estava conversando com um amigo da loja que fica perto do seu trabalho quando começou o tiroteio. Eles entraram para se refugiar e, na sequência, policiais entraram no estabelecimento e atribuíram a ele a posse de um radiotransmissor. Weslley foi agredido com um tapa na cara no momento da prisão.

“Conseguimos restabelecer a justiça. Diante dos documentos que comprovam o trabalho e a matrícula na escola, a juíza entendeu que a prisão não era necessária. Pelo contrário, trata-se até de uma medida desproporcional a conduta imputada”, afirmou a defensora Carla Vianna, do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (DPRJ).

Segundo o chefe do estudante, Manoel da Silva, 38 anos, Weslley chegou na terça-feira e colocou música no trailer em que trabalhava, como de costume. Era um dia normal de trabalho, em que ele ia para a escola depois do expediente, por volta das 18h. “Eu tenho uma oficina de consertos e um trailer que ele trabalha como atendente. Ele sempre foi um menino bom, conheço faz muito tempo. Sua família também. Nunca vi ele envolvido com nada”, completou. “Nesse dia ele tinha ido do trailer pra oficina quando um tiroteio começou e ele ficou no meio do caminho. Eu fechei tudo e fiquei quietinho esperando o movimento passar. Eu imaginei que o Weslley tinha se abrigado também em alguma loja, só que quando eu sai da oficina ouvi uns boatos de que tinham prendido um moleque”, contou ele.

Manoel defendeu a índole de Weslley, a quem se referiu como “menino bom”. “Ele sempre foi correto. A gente se divertia juntos, ouvia musica, saía pra comer. Tinha dias que ele saia do colégio umas 21h e passava na oficina”, completou. “Eu estava precisando de alguém pra minha loja e ele foi a primeira pessoa que eu pensei, justamente por ser de confiança. Nunca fez parte de nada ruim, pelo menos nunca vi”, acrescentou Manoel. 

De acordo com a Polícia Militar do RJ, na noite de terça-feira (30/7), equipes da Unidade Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão realizavam policiamento pela Rua Joaquim de Queiroz, quando criminosos atiraram contra os policiais. “Houve confronto e os marginais fugiram. Em ação contínua de varredura, os policiais encontraram um suspeito com um rádio comunicador. O mesmo foi conduzido à 21ª DP (Bonsucesso) para apreciação da autoridade policial.”, informou a corporação em nota. 

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