Segurança do Metrô agride casal de mulheres negras em SP

Funcionário do Metrô expulsou passageira do trem após discussão; sua esposa foi tentar defendê-la e levou um tapa no rosto

A cada 7 segundos uma mulher é vítima de violência física, de acordo com o Relógio de Violência do Instituto Maria da Penha. Na última terça-feira (19/12), um desses casos chamou atenção nem tanto pelo local – o transporte público –, mas pelo autor da agressão: um agente de segurança do Metrô de São Paulo, identificado no boletim de ocorrência apenas como como agente Farage.

O segurança pegou pelo braço a ambulante Marta Suellen Cana Brasil dos Santos, 30 anos, e a expulsou do metrô após uma discussão, na estação Vila Matilde, da linha 3 – Vermelha. Ao tentar defendê-la, a também ambulante Juliana Piva da Silva, 35 anos, esposa de Marta, levou um tapa no rosto. Além de estapear a passageira, Farage ainda empurrou Juliana e ameaçou a mulher com um cassetete

O boletim de ocorrência foi registrado no 6º Departamento de Polícia Metropolitano, localizado na Barra Funda, como lesão corporal e ameaça – no documento, Juliana consta como vítima e Marta é uma das testemunhas. O segurança não compareceu ao plantão.

Marta e Juliana | Foto: arquivo pessoal

Juliana conta que, naquela noite, ela e a esposa embarcaram na estação Patriarca a caminho do shopping Tatuapé, onde pretendiam passear juntamente com o filho.

Elas afirmam que, ao chegarem à estação Vila Matilde, o agente de segurança Farage as abordou, porque Marta estaria separando alguns papeis de sua carteira no chão do vagão. A discussão começou depois que Farage tentou obrigá-la a pegar os papéis e Marta se recusou. O segurança a reconheceu do trabalho como ambulante. “Ele disse que estava querendo me pegar de dias”, diz Marta.

Segundo as vítimas, o segurança estava muito alterado e pegou Marta pelo braço, retirando-a do vagão. Ao tentar defender a esposa, já na plataforma de embarque, Juliana tomou um tapa de Farage. O funcionário também ameaçou o vendedor Diego Rodrigo da Silva Lima, 31, que ajudou defender a ambulante, dizendo que “iria pegá-lo e que lá fora as coisas iriam ser diferentes”.

As imagens da agressão foram divulgadas nas redes sociais e geraram comoção. “Esse monstro covarde (…) virou o tapa na minha esposa sem pudor algum, ele só não agrediu mais porque uns passageiros entrou no meio”, escreveu Marta no Facebook. 

Segundo uma testemunha que gravou a cena, mas não quis se identificar, o segurança expulsou as vítimas do vagão porque reconheceu Juliana, que trabalha como vendedora ambulante dentro do transporte. “Nesse dia, ela não estava nem trabalhando, estava com o filho inclusive e um monte de panetones”.

“Ele agrediu também um rapaz que foi apartar a briga e destilou ameaças a mim e a todos que ali gritavam “Covarde!”. Eu consegui fazer a filmagem do momento em que ele parte para cima dela e eles começaram a discutir, aí eu precisei me afastar porque ele percebeu que estou filmando”, complementa.

A vítima compareceu na manhã de hoje ao IML (Instituto Médico Legal) Leste, em Artur Alvim, para o exame de corpo de delito e posteriormente seguiram para o Departamento de Polícia Metropolitano para apresentar a documentação e as imagens do fato.

Atualizado em 22/12, às 17h20 – A Ponte entrou em contato com as assessorias de imprensa do Metrô e da Secretaria de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A resposta da SSP foi a seguinte:

A Polícia Civil informa que o caso foi registrado como lesão corporal e ameaça pela Delegacia do Metropolitano. A vítima e testemunhas foram ouvidas. Foi solicitado exame de corpo de delito à vítima, que ofereceu representação contra o autor. Foram solicitadas as imagens das câmeras de monitoramento da estação.

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