Suspeito de matar trans a pauladas na zona sul de SP é preso

07/05/19 por Paulo Eduardo Dias

Compartilhe este conteúdo:

Jonatas Araujo dos Santos, 25 anos, se apresentou no 27º DP na noite desta segunda-feira; ele foi reconhecido por uma testemunha como o assassino de Larissa Rodrigues

Jonatas Araujo dos Santos e a madeira usada para matar Larissa Rodrigues | Foto: arquivo pessoal

Jonatas Araujo dos Santos, 25 anos, suspeito de espancar até a morte a trans Larissa Rodrigues, 21 anos, se apresentou no 27º DP na noite de segunda-feira (6/5). O crime aconteceu no cruzamento da Alameda dos Tacaúnas com Avenida Indianópolis, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. Cerca de 20 transexuais amigas de Larissa realizaram um protesto em frente à delegacia cobrando a prisão preventiva do suspeito do crime.

Kyara, 23 anos, testemunhou o crime e reconheceu Jonatas como o agressor. “Ele passou com o carro, estacionou na rua de trás, voltou com o pedaço de madeira e atacou ela pelas costas”, contou. Ela afirma que o suspeito também mexeu na bolsa da vítima. “Eu reconheço ele. Não tem como esquecer”, pontua.

“Nós viemos por justiça. Se ele sai, vai continuar matando. Ele é tão esperto que esperou 24h para se entregar e sair do flagrante”, disse Bruna, 24 anos. Todas as transexuais presentes no local afirmaram que o detido é o mesmo que já matou uma colega na rua Voluntários da Pátria, em Santana, zona norte, e que aterroriza travestis em outras ruas da cidade.

 

Amigas de Larissa foram até o 27º DP | Foto: Paulo Eduardo Dias/Ponte Jornalismo

Outro fato que mobilizou as jovens a irem até a frente da delegacia é a indignação com relação ao tratamento preconceituoso que sofrem de parte da população. “Se vocês morreram na esquina, fica por isso mesmo. Vocês são trastes, a escória da sociedade. Se morrer hoje, amanhã faz dois dias”, disse Dafne, 18 anos, reproduzindo frases que ela e as colegas já ouviram de policiais e de moradores das redondezas.

“Ela era muito bonita, e não saia com qualquer homem, isso pode ter revoltado ele. Ela era uma criança, todo mundo gostava dela. Trabalhar a noite é um perigo, porque não temos segurança. A desculpa para nos agredir é dizer que nós roubamos os clientes”, afirmou Ingrid, 24 anos.

A Justiça de São Paulo vai agora decidir se Jonatas vai ficar preso temporariamente. Se aceito, o detido será encaminhado para o 2º DP.

Segundo as transexuais, Jonatas tem o hábito de passar pelo local, sempre bêbado e assim que tem o programa recusado passa as atacá-las. Os advogados de defesa do suspeito, Manoel João da Costa e Celso Regis Francisco, informaram que não vão se pronunciar no momento.

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo: