Vereador nega ter mandado matar radialista no Pará e se diz bode expiatório

3 minutos atrás

Em depoimento à Divisão de Homicídios, Cesar Monteiro (PR) se declara inocente e afirma que foi apontado como mandante por ter divergências com Jairo de Sousa

Radialista Jairo de Sousa foi assassinado em Bragança, no Pará | Foto: Rafael Oliveira/Abraji

Durante pouco mais de quatro horas de depoimento, o vereador Cesar Monteiro (PR), 45 anos, negou ser o mandante e ter contratado um grupo para matar o radialista Jairo de Sousa, 43 anos, assassinado na madrugada de 21 de junho de 2018, na cidade de Bragança, no Pará. O vereador se apresentou na terça-feira (20/11) em Belém, depois de ter sido considerado foragido desde 16 de novembro. Cinco meses após o crime, oito pessoas foram presas e uma continua foragida.

A morte de Jairo de Sousa é o segundo caso investigado pela equipe da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) dentro do Programa Tim Lopes, desenvolvido com o apoio da Open Society Foundations para combater a violência contra jornalistas e a impunidade dos responsáveis. O primeiro caso foi o de Jefferson Pureza, 39 anos, em Edealina, no interior de Goiás, executado com três tiros na cabeça enquanto descansava na varanda de sua casa, em 17 de janeiro de 2018. Seis pessoas estão detidas.

Acompanhado de dois advogados, Cesar Monteiro disse se sentir abandonado pela base do governo de Bragança e estar sendo atacado por veículos de comunicação da cidade ligados à prefeitura local. Ele acrescentou haver um grupo que está tramando um complô contra ele, colocando-o como bode expiatório do crime, pois todos sabiam que ele tinha divergências com o radialista. Em seu depoimento, o vereador apontou algumas pessoas como possíveis mandantes do assassinato.

Monteiro contou ainda que, ao saber da presença da polícia em Bragança, em 16 de novembro de 2018, procurou o prefeito, Raimundo Nonato de Oliveira (PSDB), mais conhecido como Raimundão, em busca de ajuda. Afirmou aos delegados responsáveis pelo caso, Dauriedson Bentes da Silva e Eduardo Rollo, que, ao chegar à casa do prefeito, encontrou o secretário de Infraestrutura, Luciano Brito. Os dois saíram juntos de lá, depois de um breve encontro com Raimundão.

Na Operação Pérola, em que houve o pedido de nove prisões temporárias, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão de documentos na casa de Luciano Brito e nas duas empresas dos sobrinhos do vereador: a Terra Forte Terraplanagem e a Terra Forte Construção e Serviço, que pertencem a Yann Monteiro Leite e Odivaldo de Lima Leite Filho, conhecido como Dinho.

Segundo o delegado Dauriedson Bentes da Silva, da Divisão de Homicídios, Cesar Monteiro acrescentou que, no mesmo dia 16 de novembro, retirou sua família da cidade de Bragança por questões de segurança. Depois de ter sido ouvido, o vereador foi levado para o Centro de Recuperação Anastácio das Neves, que fica no complexo prisional Santa Izabel do Pará, na região metropolitana de Belém, para cumprir prisão temporária de 30 dias.

*Angelina Nunes é mestre em Comunicação pela Uerj (RJ). Ela recebeu prêmios internacionais de jornalismo, como Rey de España, IPYS e SIP, e nacionais, como Esso, Embratel, Vladimir Herzog e CNH. É membro do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) e coordenadora do Programa Tim Lopes.

 

Programa Tim Lopes é uma reação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) à violência contra jornalistas. Em caso de crimes ligados ao exercício da profissão, uma rede de veículos da mídia tradicional e independente é acionada para acompanhar as investigações e publicar reportagens sobre as denúncias em que o jornalista trabalhava até ser morto. Integram a rede hoje: Agência Pública, Correio (BA), Globo, Poder 360, Ponte Jornalismo, Projeto Colabora, TV Aratu, O Globo e Veja.

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