Bebê de 2 anos e outras duas pessoas morrem em tiroteio no Alemão (RJ)

Balas perdidas de confronto entre PM e supostos assaltantes atingem moradores do Complexo, comunidade na zona norte do Rio; além dos mortos, outros três ficaram feridos

Avó abraça o carrinho onde Benjamin estava quando atingido | Foto: arquivo pessoal

Paloma Maria Novaes, 29 anos, e sua mãe, Angela Maria de Novaes, decidiram sair de casa no Complexo do Alemão com o pequeno Benjamin, de dois anos, para comerem em uma pastelaria na noite de sexta-feira (16/3). Um confronto entre policiais militares e um grupo suspeito por assalto interrompeu a janta da família. Balas perdidas mataram a criança e feriram a mãe. Um senhor de 54 anos e uma senhora de 58 também morreram, além de outras duas pessoas feridas, entre elas mais uma criança.

De acordo informações dadas pela Polícia Militar (PMERJ), o tiroteio se iniciou por volta das 20h30 quando suspeitos em veículo um Jeep Renegade branco avistaram uma viatura da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Fazendinha na Avenida Itaóca e realizaram “diversos disparos”. Segundo a corporação, entre os envolvidos na ação estaria o criminoso “de Vulgo Carão”, considerado um dos líderes do tráfico local.

Uma moradora que viu o caso relatou outra versão à Ponte. “A PM viu alguns garotos sentados e resolveram atirar contra eles com um monte de gente na rua”, afirmou a mulher, pedindo pra não ser identificada com medo de represália. “Foi aí que pegou na criança, que estava na pastelaria com a avó. Ela morreu na hora”, contou. “Ali é uma região que passa ônibus, táxi, Uber… não é dentro do morro. Geralmente bandido não fica nessa área, fica dentro do morro”, seguiu.

Benjamin tinha dois anos e era portador da síndrome de down, de acordo com informações do jornal Voz das Comunidades. Ele foi baleado na cabeça. A Secretaria de Saúde do RJ confirmou que o bebê foi socorrido inicialmente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e, como o estado era grave, acabou encaminhado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Porém, não resistiu à transferência e morreu à caminho do hospital.

“Eles saíram tacando o dedo nos moradores. Não mataram não foi só meu neto, não. Só inocente, só morador, só trabalhador”, relatou a avó, em entrevista ao jornal “O Globo”. “Eu vi a morte do meu neto”, seguiu Angela Maria.

Maria Lúcia da Costa, moradora do Complexo, levou um tiro nas costas e chegou sem vida à UPA do Alemão – o corpo está no IML (Instituto Médico Legal), de acordo com a pasta. O eletricista José Roberto Ribeiro da Silva, também ferido, foi encaminhado diretamente ao hospital estadual, na Penha, bairro na zona norte, mas acabou morrendo em decorrência dos ferimentos da bala perdida.

Os médicos do local atenderam Paloma, mãe do bebê de dois anos, ferida de raspão por dois tiros, a encaminharam para o Getúlio Vargas e ela já recebeu alta. “Por que você matou meu filho?”, perguntou Paloma, desesperada, em direção a um policial, de acordo com “O Globo”. “Eu tentei salvar o meu filho e não consegui. Eles acabaram com a minha vida. Eu vou morrer. Não vou conseguir ficar sem meu filho. Me dá um tiro”, disse.

Informações extra-oficiais apontam que mais duas pessoas que vivem na região ficaram feridas no confronto: um garoto com idade entre 8 e 10 anos e um jovem de 26 anos. Moradores protestaram após o ocorrido, fechando a Estrada do Itararé e a Avenida Itaóca em frente à UPA. Por conta do ato, a polícia enviou o Batalhão do Choque e o GIT (Grupamento de Intervenções Táticas) ao local.

De acordo com a polícia fluminense, três suspeitos envolvidos na troca de tiros foram atingidos, dois deles fugiram para a comunidade Nova Brasília e um acabou preso. Ele está em custódia no Getúlio Vargas. A corporação diz que foram apreendidos com os suspeitos um fuzil calibre 5.56, um revólver calibre 38, quatro carregadores de fuzil, munições e pequena quantidade de entorpecentes, além do carro, apontado como fruto de roubo pelas informações oficiais.

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