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Com snipers e drones assassinos, Witzel copia filmes para ‘mostrar macheza’

02/11/18 por Jeniffer Mendonça

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Professora da UFF Jacqueline Muniz critica planos do governador eleito do Rio de usar drones e snipers para abater pessoas: ‘vão transformar mortes de PMs e cidadãos em esporte’

Wilson Witzel em caminhada na zona oeste do Rio em 30/10/2018 | Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Após declarar que quem portar fuzil deve ser abatido pela polícia, o governador eleito pelo Rio de Janeiro, ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC), pretende realizar uma viagem com o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), filho de Jair Bolsonaro, à Israel para conhecer um modelo de drone equipado com arma, capaz de atirar enquanto sobrevoa uma região. O equipamento pode ser utilizado em operações de segurança no Rio, de acordo com coluna de Berenice Seara, no jornal Extra.

O uso desse tipo de aparato costuma ser empregado pelo exército israelense em ações na fronteira em territórios palestinos.

O futuro governador pretende montar equipes de atiradores (snipers) e havia afirmado que membros das forças de segurança que abaterem criminosos não serão responsabilizados, já que se trata de “morte em combate”, em legítima defesa, e que não se configuraria como homicídio.  “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, afirmou em entrevista ao Estado de S. Paulo. A proposta, que já estava registrada em seu plano de governo, passou a ganhar repercussão na última semana.

Para a antropóloga e professora da UFF (Universidade Federal Fluminense) Jacqueline Muniz as alternativas encontradas pelo ex-juiz federal é uma “cortina de fumaça” para o problema da segurança pública no Rio. “Essas ações só têm um objetivo que é fortalecer o mercado da guerra, adquirindo equipamentos para mostrar força e macheza sem ter reais propostas, pois possibilita compras com comissões vultosas e instrumentalização política do temor que ameaça e engana consciência dos cidadãos”.

Segundo a antropóloga, investir em aparato bélico é uma forma de “reproduzir roteiros de filmes de ação, que trazem situações fictícias com snipers salvando a população, o que não vai acontecer”.

A pesquisadora afirma que a medida viola parâmetros legais de preservação da vida e os procedimentos operacionais padrão da polícia que prevê o escalonamento do uso da força. “Com o mesmo gasto se poderia treinar os policiais do Rio de Janeiro em tiro defensivo e estático por modalidade de armamento e garantir superioridade de método da polícia. Mas não é isso que parecem querer. Preferem pagar comissões milionárias, esquentar a chapa e transformar a morte de policiais e cidadãos em esporte local”, analisa.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, também criticou o abate ao declarar que a medida não tem respaldo na legislação e dependeria de uma mudança na lei federal. Entidades de direitos humanos, como a Anistia Internacional, repudiaram as declarações de Witzel.

“Tal medida tem um potencial impacto desastroso de aumento dos homicídios e da violência armada nas cidades. Não se combate violência com mais violência, confrontos diretos e desrespeito à legislação vigente. Violência armada se combate com ações estratégicas de inteligência, investigação, prevenção, e maior controle de circulação de armas de fogo”, diz nota da Anistia.

 

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