Coronel chama de ‘bandidos’ PMs da Rota por patrulharem com luzes apagadas

Diógenes Lucca, fundador do Gate, fez declaração em seminário sobre patrulhamento tático; ‘Vamos acioná-lo legalmente’, assegura comandante da Rota à Ponte

O coronel da PM paulista Diógenes Lucca chamou de “bandidos” policiais da Rota que realizam patrulhamento com luzes apagadas. A fala ocorreu durante palestra do oficial no 1º Seminário Estadual de Patrulhamento Tático, em Jandira, região metropolitana de São Paulo.

“Tem policiais na Rota que são má conduta, bandidos, que não querem seguir as normas, a doutrina, não querem seguir a legislação”, declarou Lucca, ex-comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais).

A fala aconteceu após pergunta de um Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos, que citou o caso de uma viatura de Romu (Ronda Ostensiva Municipal) atuando nos mesmos moldes da Rota. Lucca indicou a outros policiais para não “copiarem aquilo que a gente quer se livrar”, em referência ao patrulhamento com viaturas apagadas.

“Eu lamento demais que a viatura de Rota, que é a inspiração para muitos de vocês, cometa essa barbaridade. Não é a nossa norma. Nossa norma é: à noite, liga o giroflex para patrulhamento”, disse, apontando para “inteligência” em desligar as luzes somente próximo de possíveis crimes, como ladrão em residência.

A declaração do coronel não foi bem recebida pelo tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, comandante da Rota desde agosto de 2017.

“Vamos acioná-lo legalmente. Ele falou uma inverdade e vamos acionar judicialmente de todas as formas possíveis. [Diógenes Lucca] Fez uma colocação inverídica e vamos tomar as providências legais, apenas”, afirmou Mello Araújo em entrevista à Ponte.

Coronel Diógenes Lucca é um dos fundadores do Gate | Foto: reprodução/Facebook

Questionado sobre o padrão de patrulhamento noturno adotado pela Rota, o comandante da tropa de elite da PM de São Paulo preferiu não se pronunciar. Indicou à reportagem para solicitar posicionamento oficial da SSP-SP e da Polícia Militar.

Outro policial a criticar as falas durante o seminário foi Coronel Telhada. Deputado Estadual pelo PSDB e membro da chamada Bancada da Bala na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Telhada usou as redes sociais para divulgar um vídeo rebatendo Lucca.

“Nós, policiais militares de Rota de hoje e do passado, queremos a sua retratação. O que você fez não está certo e, se fez para se aparecer para a Globo para ganhar mais dinheiro ou mais conceito, é um problema seu. Mas não venha ofender e nem cuspir no prato que você comeu a sua vida toda. É uma vergonha o que você fez. Espero sua retratação”, declarou o deputado, dizendo ter recebido um documento do comandante Mello Araújo também cobrando a retratação do coronel.

A Ponte entrou em contato com a pasta e a corporação pedindo justamente uma resposta oficial sobre as declarações do coronel Diógenes. Às 22h15 da segunda-feira (15/1), obtivemos o seguinte posicionamento:

“A Polícia Militar informa que toda atuação de policiais, inclusive das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), segue os Procedimentos Operacionais Padrão, prezando pelo respeito e atendimento ao cidadão. Caso algum policial seja encontrado descumprindo ordens, os fatos serão pontualmente apurados e todas as medidas cabíveis serão tomadas”.

Contudo, nem SSP nem a PM explicaram especificamente quais são os procedimentos padrões da Rota para patrulhamento veicular no período noturno.

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