Entidades de direitos humanos pedem que MP acompanhe investigação de chacina de 5 jovens

Familiares de jovens que estavam desaparecidos foram ao IML Central de São Paulo na segunda-feira (07/11) tentar reconhecer os corpos - Foto: Sérgio Silva, da Ponte Jornalismo

Representação foi enviada ao procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Poggio Smanio, na tarde desta quinta-feira (10), dia em que o quarto corpo foi reconhecido

Entidades de direitos humanos enviaram nesta quinta-feira (10/11) uma representação ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Poggio Smanio, cobrando que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investigue o sequestro e assassinato dos cinco rapazes encontrados mortos em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, no domingo (6/11). Eles estavam desaparecidos desde o dia 21 de setembro, depois de terem sido abordado por policiais no rodoanel Mário Covas, na Zona Leste da capital.

O pedido das entidades é para que o MP “tome medidas cabíveis para efetiva apuração dos fatos e garantia de direitos e reparações para os familiares”. Os grupos pedem uma reunião dos familiares e da Defensoria Pública do Estado de São Paulo com os promotores responsáveis pela investigação e que o MP acompanhe as ações requeridas pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

Os cinco rapazes foram encontrados mortos dia 6/11, em uma mata de Mogi das Cruzes (Grande SP) - Foto: Reproduções
Os cinco rapazes foram encontrados mortos dia 6/11, em uma mata de Mogi das Cruzes (Grande SP) – Foto: Reproduções

“Dirigimo-nos a Vossa Excelência para solicitar providências cabíveis dentro das prerrogativas do Ministério Público Estadual especialmente em defesa de apoio e reparações às famílias diante dos fatos ocorridos recentemente que dão conta de suposto homicídio de todos eles por parte de policiais militares, conforme vem sendo apurado”, afirma a representação.

Os grupos apontam, ainda, que há gravíssimas violações de direitos humanos das famílias dos 5 rapazes mortos: as negativas de liberação dos corpos e de realização de perícias sugeridas pelo Condepe e a “falta de transparência e empenho nas investigações criminais”.

A reportagem pediu uma posição sobre o assunto ao MP-SP e à Polícia Militar. Até a publicação desta reportagem, os órgãos não haviam se manifestado.

Corpo de Jonathan é reconhecido

O corpo de Jonathan Moreira Ferreira, de 18 anos, foi reconhecido nesta quinta-feira (10). A identificação ocorreu por meio de seus registros dentários, que estavam na Fundação Casa. Antes dele, já haviam sido identificados os corpos de César Augusto Gomes Silva, 19 anos, Caique Henrique Machado Silva, de 18, e Robson Fernando Donato de Paula, cadeirante, de 16 anos.

Ainda é preciso reconhecer o corpo de Jonas Ferreira Januário, de 30 anos. Ele havia sido contratado pelos quatro amigos para dirigir o carro do grupo, que iria para Ribeirão Pires, em um sítio, encontrar umas garotas que conheceram pela internet. Eles foram encontrados em um matagal na Estrada Taquarussu, em Mogi das Cruzes. Os corpos estavam em covas rasas e cobertos com cal – para acelerar o processo de decomposição.

Adriana Moreira Nogueira, mãe de Jonathan, havia afirmado à Ponte Jornalismo que as buscas em matas da região foram feitas por familiares e amigos dos jovens, sem ajuda da polícia. “Nós saímos em comboio à busca dos meninos em mata, em vários lugares. Nem eles [a polícia] estão procurando, que dirá mandar alguém [especializado]”, disse.

Familiares de jovens que estavam desaparecidos foram o IML Central de São Paulo na segunda-feira (07/11) tentar reconhecer os corpos - Foto: Sérgio Silva, da Ponte Jornalismo
Familiares de jovens que estavam desaparecidos foram ao IML Central de São Paulo na segunda-feira (07/11) tentar reconhecer os corpos – Foto: Sérgio Silva/ Ponte Jornalismo

Conforme a Ponte adiantou, PMs consultaram dados dos jovens na noite em que eles foram assassinados. A Ponte Jornalismo também revelou que o rastreamento da Corregedoria (órgão fiscalizador) da PM apontou que algumas das cápsulas de .40 pertenciam a dois lotes comprados da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) pela Polícia Militar de São Paulo. Outras cápsulas, também de .40, haviam sido compradas pela Polícia Civil.

O DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil de São Paulo, e a Corregedoria da Polícia Militar investigam, além de policiais militares, a participação de GCMs (guardas civis metropolitanos) no sequestro e morte dos cinco jovens – história também revelada pela Ponte. Uma das linhas de investigação tem relação com a morte de Rodolfo Lopes Sabino, 30 anos, GCM de Santo André, cidade do ABC Paulista. Sabino era agente de segurança de Oswana Fameli, prefeita em exercício da cidade.

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