Execução de preso ameaça causar guerra interna no PCC

Edilson Borges Nogueira, o Birosca, que pertenceu por 20 anos ao alto escalão da facção criminosa, foi assassinado durante banho de sol em Presidente Venceslau (SP)

O Ministério Público Estadual (MPE) ainda não apurou a motivação do assassinato do preso Edilson Borges Nogueira, o Birosca, 44 anos.

Ele foi executado hoje de manhã durante o banho de sol em um dos raios da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, na região oeste do Estado de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, os presidiários Danilo Antonio Cirino Félix, o Montanha, 29 anos, e Gilberto Sousa Barbosa Silva, o Caveira, 46, assumiram a autoria do crime.
Birosca foi durante ao menos duas décadas um dos homens do alto escalão da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Birosca era reverenciado pelos presos

Ele e outros quatro presos do PCC foram os primeiros a cumprir castigo em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) no CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes.

Isso aconteceu em 9 de abril de 2002, exatamente uma semana depois da inauguração da unidade prisional. Birosca é, portanto, dono de um dos primeiros prontuários do presídio.

O CRP foi inaugurado na gestão do então secretário estadual da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa.

A unidade foi construída para abrigar líderes de facções criminosas e presos acusados de cometer falta grave no sistema prisional.

No RDD, o castigo dura, normalmente, um ano. Os presos têm apenas duas horas de banho de sol. Ficam 22 horas em cela individual, sem direito à visita íntima. Também não têm acesso a rádio, TV, revista e jornal.

Não é por acaso que os presos batizaram o CRP de presídio “ tranca-dura”, “cemitério dos vivos” e” Big Brother”, por causa do moderno sistema de vigilância por câmeras de segurança.

Ordem superior

O Ministério Público Estadual acredita que no decorrer desta semana, já terá informações sobre as circunstâncias do assassinato de Birosca.

Promotores de Justiça sabem, no entanto, que, para matar Birosca, seria necessária uma ordem superior, de alguém da cúpula do PCC.

Os promotores do MPE apuraram que Birosca foi excluído da facção meses atrás, depois que a mulher dele brigou com a guia (responsável) do ônibus que leva parentes de presos para Presidente Venceslau.

Segundo o Ministério Público, a exclusão de Birosca da facção criminosa foi ordenada pelo preso Patrik Wellinton Salomão, o Forjado.

Forjado é ligado a Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, considerado o número 2 na hierarquia do PCC e que se encontra foragido desde fevereiro deste ano.

O assassinato de Birosca aconteceu às vésperas da saída de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola e de Daniel Vinícius Canônico, o Cego, do castigo em RDD do CRP de Presidente Bernardes.

Ambos são apontados como líderes do PCC e foram internados no RDD em dezembro do ano passado, dias depois da deflagração da Operação Ethos.

A Operação Ethos apurou o envolvimento de advogados com a liderança do PCC na criação da célula jurídica da facção criminosa, conhecida como “sintonia dos gravatas”.

Ainda segundo o MPE, Birosca aguardava a saída de Marcola e de Cego do RDD para decidir seu futuro na organização criminosa.

É por esse motivo que os promotores não acreditam que a ordem para matar Birsoca tenha partido de Marcola ou de Cego, já que os dois estavam isolados na tranca-dura.

Além disso, segundo o MPE, os dois presos querem mais é sair do RDD para passar as festas de fim de ano em um presídio normal, onde podem receber visitas e, por isso, não iriam se envolver em outro problema para cumprir mais um ano de castigo.

Promotores de Justiça não descartam que a morte de Birosca tenha sido motivada por alguém que quer assumir os pontos de vendas de drogas dele em Diadema, na Grande SP.

De acordo com o MPE, Birosca, de dentro da P-2 de Presidente Venceslau, comandava o tráfico de drogas na favela Morro do Samba, em Diadema, e faturava milhões por ano com essa atividade.

Guerra interna

Na P-2 de Presidente Venceslau, Birosca era reverenciado pelos presos. Os detentos o chamavam de “Tiozão”. Birosca ajudava financeiramente os detentos mais necessitados, principalmente os que não recebem visitas. Por isso ele era muito querido.

A morte dele pode causar uma guerra interna no PCC, a exemplo do que aconteceu após o assassinato de Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, executado em 27 de julho de 2001, na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, o berço do PCC.

Sombra era um dos presos mais reverenciados da facção criminosa. O PCC decretou três dias de luto pela morte dele em todo o sistema prisional paulista.

Depois do assassinato de Sombra, o PCC nunca mais foi o mesmo. Dezenas de presos ligados aos assassinos dele foram executados nas prisões paulistas.

Comentários

Comentários

Enviar um comentário

Contribua com a Ponte

Clique para doar

feito por F E R A