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Justiça concede liberdade para José Márcio, preso em flagrante por crime cometido quando estava em casa

17/11/20 por Caê Vasconcelos

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Para juiz, imagens colhidas pela família comprovam que auxiliar de limpeza não saiu de casa na noite do crime e José Márcio tem “feição muito comum ao cidadão brasileiro”

O auxiliar de limpeza José Márcio Nazareno foi preso em flagrante por um crime que aconteceu enquanto ele estava em casa | Foto: Arquivo / Ponte

O juiz José Paulo Camargo Magano reconhece que a prisão do auxiliar de limpeza José Márcio Nazareno, 30 anos, é “no mínimo nebulosa”. José Márcio foi preso no último dia 5 de novembro quando foi acompanhar o enteado, o segurança Luis Henrique Oliveira Cruz, 26 anos, na delegacia.

Luis Henrique havia sido chamado para averiguar se estava tudo certo com o seu carro no 85º DP (Jardim Mirna), no Grajaú, na zona sul da cidade de São Paulo. José Márcio entrou na delegacia como testemunha, mas acabou preso por roubo.

Para o juiz Magano, as imagens enviadas pela defesa, que haviam sido ignoradas pelo delegado Gilson Rodolfo Alarcon Matos Júnior, do 85º DP, “comprovam que seu veículo, um Siena, não saiu da garagem” antes das 11h07 da manhã do dia 5 de novembro, o que “que pressupõe, em tese, que o carro não teria sido o utilizado no momento do crime”. José Márcio deve ser solto na manhã desta quarta-feira (18/11).

“Recebemos essa notícia com muita felicidade porque sabemos que ele é inocente. Agora só vamos aguardar a chegada dele amanhã. A Justiça está sendo feita”, comemorou a chefe de cozinha Iranildes Oliveira Cruz, 48 anos, esposa de José Márcio, em entrevista à Ponte. “Foram dias de muita angústia, noites sem dormir, nem vontade de comer eu sentia. O juiz entendeu que não teria como ser o meu marido”.

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“Na análise preliminar das filmagens, de fato não verifiquei saída do carro em nenhum momento anterior, muito menos entrada desse na garagem após o horário que a vítimas alegam terem sido roubadas”, argumenta o juiz.

Outro ponto divergente, continua o juiz na decisão, é que José tem um veículo modelo Siena, não um Palio, carro que a vítima afirma que os três suspeitos usavam. “Registra-se que a cor e o modelo de ambos os carros são muito comuns, o que pode criar confusão no momento do reconhecimento”.

O magistrado também aponta que “outra situação que merece ser levantada” é que as vítimas teriam reconhecido José Márcio, mas que as fotos anexadas ao processo mostram que ele possui “feição muito comum ao cidadão brasileiro”.

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“Não só isso, do inquérito se observa que o crime teria acontecido de madrugada, horário que, por certo, prejudica o reconhecimento certeiro pelas vítimas tanto do carro, quanto da fisionomia do réu, pela falta de visibilidade”, pontua o juiz.

Por isso, decide, seis pontos o fazem revogar a prisão de José Márcio e solicitar a sua liberdade provisória: é réu “absolutamente” primário, possui endereço fixo, tem carteira assinada, “no momento da abordagem, estava em casa com Luiz Henrique Oliveira Cruz, que não foi reconhecido pelas vítimas”, “nada de ilícito foi encontrado com o réu no momento da abordagem, muito menos os objetos roubados ou a arma de fogo utilizada” e “constituiu advogado, o que demonstra sua colaboração com a instrução processual”.

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