x
Legenda Teste

Ajude a Ponte

Você sabe que a Ponte está do seu lado. Mas, além de coragem, a nossa luta pela igualdade social, racial e de gênero precisa de recursos para se manter. 

Com uma contribuição mensal ou anual, você ajuda a manter a Ponte de pé. Além disso, garante acesso aos bastidores da nossa redação e uma série de benefícios.

Ajude a Ponte

Justiça de SP mantém na prisão lactante acusada de tráfico e bebê de 3 dias

14/02/18 por Maria Teresa Cruz

Compartilhe este conteúdo:

Jéssica Monteiro, que afirma ser inocente, foi presa em flagrante no sábado, teve o filho no domingo e foi transferida nesta quarta-feira para a Penitenciária de Santana

Jéssica e o filho recém nascido | Foto: Condepe

A desempregada Jéssica Monteiro, de 24 anos, está presa desde sexta-feira (9/2) acusada de tráfico de drogas e foi transferida nesta quarta-feira (14/2) para a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. Jéssica estava prestes a dar a luz quando foi detida, tanto que dois dias depois, no domingo, entrou em trabalho de parto e foi levada ao Hospital Municipal Inácio Proença de Gouveia, onde o filho nasceu. Ela é mãe de uma outra criança de 3 anos. A indiciada afirma ser inocente das acusações e nega ser traficante ou usuária de drogas.

Jéssica ilustra as estatísticas do sistema prisional feminino, que, de acordo com o último relatório do Infopen, das mais de 42 mil mulheres presas no Brasil, 74% têm ao menos um filho. Também é o retrato da política antidrogas que encarcera mais de 60% delas. E por fim, se encaixa em outro levantamento, esse do ITTC (Instituto Terra, Trabalho e Cidadania): negra (68% da massa carcerária feminina) e jovem – entre 18 e 29 anos -, que corresponde a metade das encarceradas no país.

De acordo com a polícia, Jéssica foi flagrada em um apartamento no Bom Retiro, região central de São Paulo, com 27 pequenas embalagens de maconha, que totalizariam cerca de 90 gramas. Ainda segundo a versão da Polícia Militar, uma viatura foi apurar uma denúncia anônima na região que dava conta de que Jéssica e o ajudante geral Oziel Gomes da Silva, vulgo “Soja”, estariam repassando drogas. Com Oziel, que também foi preso, foram encontrados 37 trouxinhas de maconha e 40 eppendorf – ou pinos plásticos de cocaína – que tem pesagem variável, mas o volume é de aproximadamente um grama.

“Ela estava muito abalada, até pela situação de estar no final da gravidez”, disse o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana) e que acompanha o caso. “Ela foi presa com pequena quantidade, tem bons antecedente, é primária e, além do recém nascido, ela tem outro filho. Tem direito a responder em liberdade com base no estatuto da primeira Infância”, pondera. Depois que o filho nasceu, o bebê e ela voltaram para a carceragem, ainda na terça-feira. Foram transferidos e estão no berçário da penitenciária de Santana.

A delegada Patricia Rosana Fernandes, do 8ª DP, considerou que havia elementos suficientes para enquadrar os dois flagrados no artigo 33 do CP. “A quantidade e a natureza das drogas, em princípio, não indicam a posse voltada para o consumo pessoal, assim como o local (conhecido ponte de venda de drogas) e o comportamento dos agentes”, escreveu a delegada no boletim de ocorrência.

Como estava em recuperação do parto, Jéssica não pode comparecer a audiência de custódia, onde o juiz Claudio Salvetti D’Angelo decidiu pela manutenção da prisão. Segundo Ariel de Castro Alves, a carceragem onde Jessica ficou nos últimos dias é um local insalubre e de presença predominantemente masculina. Agora, já transferida para a Penitenciária de Santana, as primeiras informações dão conta que o bebê está no berçário do local.

Já que Tamo junto até aqui…

Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

 

Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

Ajude

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo:

>