Justiça manda soltar jovens que bateram moto em carro de delegada e foram acusados de tentativa de roubo

12/05/21 por Beatriz Drague Ramos e Jeniffer Mendonça

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Após 12 dias, juiz entendeu que não havia indícios de que Alex Vinícius Medeiro da Silva, Pedro Henrique Ferreira da Silva, Matheus Leal de Carvalho e Gustavo Alcântara Lacerda cometeram crime

Por empinar moto e “darem fuga” em delegada, jovens são presos acusados de suposta tentativa de roubo | Foto: Arquivo Pessoal

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, nesta quarta-feira (12/5), a liberdade provisória de Alex Vinícius Medeiro da Silva, Pedro Henrique Ferreira da Silva, Matheus Leal de Carvalho e Gustavo Alcântara Lacerda, que bateram moto em carro de delegada e acabaram acusados de tentativa de roubo no começo do mês. De acordo com a família, os quatro brincavam de empinar motos quando atingiram o veículo da policial civil.

Na decisão, o juíz Sergio Augusto Duarte Moreira, da Vara Criminal de Cotia, argumentou que não existência evidências de que tenha ocorrido a tentativa de roubo e que havia de fato indicação de colisão entre os veículos. “Impende destacarmos que pelo que consta dos autos, os indivíduos após caírem, optaram por sair do local, vislumbra-se, que ao colidirem com o veículo, possivelmente desistiram de prosseguir na empreitada criminosa, já que evadiram do local, mesmo podendo prosseguir com a execução do possível roubo”, escreveu.

O magistrado também destacou que os jovens não têm antecedentes e que “pelas mensagens de WhatsApp colacionadas pela defesa, verifica-se que os envolvidos marcaram possível encontro de motos entre amigos no dia, em espécie de confraternização, não demonstrando, ao menos no momento da troca de mensagens, que pretendiam após o encontro executarem um roubo”.

Em troca de mensagens, jovens combinavam empinar motos | Fotos: Reprodução

A determinação prevê aos quatro o cumprimento de medidas cautelares como não se ausentar da cidade sem autorização e comparecer no fórum a cada dois meses. As famílias aguardam a expedição do alvará de soltura.

À Ponte, a prima Alex e Pedro, Vitória Guilhermina, disse que as famílias ficaram “eufóricas” com a notícia. “Já estávamos organizando um protesto por Justiça e tudo, estamos muito felizes, mas não tira nada do que passamos porque foi um injustiça”, afirma. “Eles ficaram presos por 12 dias, e só eles sabem o que passaram e viveram encarcerados lá dentro, estamos felizes mas ainda queremos justiça. Justiça por eles e justiça para todos os jovens periféricos e pretos que estão sendo encarcerados em prisões forjadas e de abuso de autoridade”, prosseguiu.

“Graças a Deus deu certo, mesmo com o Ministério Público sendo contra [a soltura] o doutor Sergio achou plausível diante da farta documentação e concedeu a liberdade provisóriia. A gente se sente agradecido vendo ser aplicada a justiça”, diz o advogado Sidvan de Brito, responsável pelo pedido de soltura.

A Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, movimento de que denuncia violações de direitos humanos nas periferias e faz acompanhamento das famílias, convocou uma manifestação prevista sexta-feira (14/5) pela liberdade dos rapazes. A organização ainda não confirmou se o protesto está mantido.

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