Letalidade policial quase dobra no RJ em dois anos

No primeiro semestre de 2018, 766 pessoas foram mortas por policiais em todo o estado, número 91% maior do que os 400 casos registrados em 2016

PM atira contra manifestantes durante protesto | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

As polícias do Rio de Janeiro mataram quase o dobro de pessoas em um período de dois anos. Números oficiais do ISP (Instituto de Segurança Pública), do Governo do RJ, apontam para 766 vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial, que anteriormente era chamada de autos de resistência no 1º semestre de 2018.

Comparando com o mesmo período de anos anteriores, o aumento é de 91% frente às 400 mortes registradas ao longo de janeiro a junho de 2016. O crescimento é de 32% quando confrontado com as 580 vítimas no mesmo período de 2017.

Os dados de 2018 representam o primeiro ano em que todos os meses do primeiro semestre têm total de mortos acima de 100 pessoas entre os quatro últimos comparados. Tanto 2015 quanto 2016 não ultrapassaram a marca de três dígitos por mês, enquanto apenas o mês de março 2017 teve 123 mortes registradas. Os outros meses do ano passado ficaram abaixo da marca dos 100.

O período de maior letalidade policial coincide com o início da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, determinada em decreto assinado pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro deste ano, e comandada pelo general Braga Netto.

Segundo o coronel da PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro) Robson Rodrigues, três pontos surgem como hipóteses para o aumento nas mortes pelas polícias: determinação do comando, falta de controle por parte dos comandantes da própria tropa ou, então, de fato um aumento nos confrontos da polícia com suspeitos.

General Walter Braga Netto, interventor na Segurança Pública do Rio de Janeiro | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Ou se tem o comando direcionando e assumindo os riscos por não ter recursos para aplicar na inteligência, não consegue investigar e decide enxugar gelo; ou não tem controle – ou não quer – sobre a tropa; e, por último, mais casos de confrontos com necessidade de aumento da violência, o que se transforma em mais vítimas”, destrincha o coronel reformado.

Rodrigues explica que há índices de criminalidade em queda desde o início da intervenção federal, mas eles representam dados sobre crimes patrimoniais e não quanto à mortalidade. “Caiu roubo de veículo e de cargas, enquanto é tímida a redução da mortalidade violenta. Não está claro no plano estratégico a meta exata da intervenção. Caso o objetivo seja o patrimonial enquanto as mortes continuam altas, a pergunta que vem é: vale a pena?”, questiona, citando homicídios e latrocínios (roubos seguidos de morte) que apresentaram tímida redução.

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