Manifestação por passe livre termina com uma pessoa ferida e quatro detidas

6 minutos atrás

Foto: Daniel Arroyo/ponte Jornalismo

Protesto começou na avenida Paulista e seguia pacífico, quando um PM agrediu moradora de rua com um cassetete; no final, estudantes promoveram um ‘catracaço’ que terminou em pancadaria e detenções no metrô

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Centenas de estudantes participaram do ato pelo passe livre estudantil, que teve início por volta das 19h de terça-feira (18/7), na praça do Ciclista, na avenida Paulista. De lá, os participantes decidiram em conjunto o trajeto: seguiriam pela própria avenida até o Masp, onde a UNE também fazia uma manifestação, em seguida passariam pela Nove de Julho e concluíram a manifestação na prefeitura de São Paulo.

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O local seria emblemático, uma vez que a grande reivindicação dos secundaristas é que o prefeito João Doria desista de modificar o passe livre estudantil. Hoje em dia, o estudante da rede pública tem direito a realizar 8 viagens em 24 horas. A mudança, segundo a gestão tucana, necessária para diminuir custos, reduzirá para 4 viagens por 2 períodos de duas horas, inviabilizando a passagem daqueles que moram longe dos centros e qualquer acesso a cidade.

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“Vai impedir, por exemplo, aquele estudante que trabalha de sair da escola e seguir para o serviço com uma única passagem. O acesso a atividades culturais também fica prejudicado. Basicamente, o aluno vai ter que aceitar ir da casa pra escola e voltar e ponto”, explica Marina Oliveira Cinto, integrantes dos movimentos Revide e Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livres).

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A passeata seguia pacífica, quando na avenida Nove de Julho, logo após o viaduto de mesmo nome, um corre-corre: um PM, que estava no cordão de contenção atrás da manifestação, agrediu com golpes de cassetete uma moradora de rua identificada apenas como Maria, que, desde a Paulista, acompanhava o protesto com os estudantes.

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Maria foi golpeada do lado esquerdo da cabeça e sangrava muito, quando foi colocada no chão para os primeiros socorros. Chegou a convulsionar. “Vocês podem acionar o Samu, por favor”, perguntava uma manifestante. Um dos policiais chegou a dizer que eles [os participantes do ato] que teriam que chamar.

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Vinte minutos se passaram e nenhuma ambulância a vista. “Pessoal, alguém ajuda, ela convulsionou de novo. Está inconsciente”, gritava um jovem. Tensão para todos os lados. Um grupo de secundaristas foi tirar satisfação com o tenente-coronel da PM, Genivaldo Antonio. “A gente precisa apurar, entender o que aconteceu. Não dá pra ficar fazendo afirmações. Eu percorri a manifestação toda e, de fato, não havia nada que justificasse algo assim. Mas precisamos averiguar com todos os envolvidos”, afirmou o tenente-coronel, que estava acompanhando o ato, mas não era o comandante da ação. O PM responsável não atendeu aos questionamentos da imprensa que estava no local.

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Pelo rádio, foi possível ouvir o policial conversando com a central do corpo de bombeiros, que direcionava a ambulância do Samu para a ocorrência. “Não tem como atender por aqui? Ah, sim, vai vir da Vila Mariana então”. Quase uma hora depois de acionado, o Samu chegou ao local e atendeu a vítima, que foi levada para a Santa Casa. Atualizada em 22/7 às 11h38 – A Ponte havia informada que Maria foi internada no hospital, mas ela fugiu antes de ser atendida.

No final da noite, a assessoria de imprensa da Polícia Militar mentiu para o jornal Folha de S.Paulo e declarou que Maria havia sido agredida por manifestantes.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A manifestação seguiu até a sede da prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá. De lá, um grupo de aproximadamente 50 estudantes seguiu para a estação da Sé, linha vermelha do metrô, onde realizaram um ‘catracaço’ – pular as catracas da estação. A atitude provocou imediata reação nos funcionários responsáveis pela segurança do metrô. Não havia polícia no local.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Os estudantes entraram na estação e foram para o andar debaixo, no acesso às plataformas. Nitidamente perdidos, o grupo de seguranças desceu atrás com cassetetes em punho e passaram a bater indiscriminadamente nas pessoas. “Cordão, cordão”, gritava um dos seguranças. Uma manifestante foi pisoteada e resgatada por um grupo, que usou um dos pilares para escorar a jovem.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Outros dois jovens foram detidos e agredidos, já rendidos, pelos seguranças do metrô. Nesse exato momento, o fotógrafo Rogério de Santis foi agredido com um soco por um agente do metrô. Alegou que estava trabalhando e devidamente identificado, mas a tentativa de diálogo foi ignorada e ele voltou a ser agredido outras duas vezes (veja o relato no vídeo). Além dele, o fotógrafo Jardiel Carvalho teve os óculos danificados e a câmera voou longe depois de ser atingido por um funcionário da segurança do metrô.

Um cinegrafista identificado apenas como Reginaldo foi também agredido por um agente do metrô, que lançou câmera dele para longe. O equipamento ficou todo arrebentado. “Eu acabei de ser agredido no exercício da profissão. Estou fazendo o meu trabalho e meu equipamento foi quebrado sem qualquer razão”, disse, chorando.

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A PM foi acionada para reforçar a segurança, mas quando chegou, já não havia muito mais a ser feito. Quatro estudantes foram detidos, algemados* e levados para a Delegacia de Polícia do Metropolitano, na estação Barra Funda. Depois, foram liberados.

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Outro lado

Atualizado às 19h – A respeito das agressões a Maria, a CDN Comunicação, empresa responsável pela comunicação da Secretaria da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB), afirma:

A Polícia Militar informa que, durante a movimentação de participantes do protesto desta terça-feira (18), na região central da cidade, uma mulher foi vista caída na calçada da Avenida Nove de Julho, com ferimentos. Ela foi socorrida ao PS da Santa Casa, mas se recusou a prosseguir com o registro da ocorrência. Não foram encontradas testemunhas que tivessem presenciado os fatos ou pudessem dar mais detalhes. A Polícia Militar está à disposição para denúncias.

O governo não comentou a versão anterior passada pela assessoria de que Maria teria sido agredida por manifestantes.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A Ponte também procurou a assessoria de imprensa do Metrô com a seguinte questão:

A reportagem testemunhou diversas agressões cometidas pelos funcionários responsáveis pelo Metrô:

  • Após os manifestantes fazerem um “catracaço” (pular as catracas), os funcionários passaram a bater indiscriminadamente em todas as pessoas que estavam no local.
  • Os funcionários agrediram dois jovens que já estavam rendidos.
  • Uma mulher que estava no chão foi pisoteada na barriga por um funcionário do Metrô.
  • O fotógrafo Rogério de Santis foi agredido com um soco por um agente do metrô. Alegou que estava trabalhando e devidamente identificado, mas a tentativa de diálogo foi ignorada e ele voltou a ser agredido outras duas vezes.
  • O fotógrafo Jardiel Carvalho teve os óculos danificados e a câmera voou longe depois de ser atingido por um funcionário da segurança do metrô.

Como o Metrô se posiciona diante dessas agressões praticadas por seus funcionários?

O Metrô ainda não se manifestou.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
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*Informação de que todos os jovens foram algemados e não apenas um foi atualizada às 11h52 do dia 20/7

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