Médico é condenado a mais de 40 anos de prisão por matar a namorada no MT

Defesa vai recorrer. Família diz que mesmo com a condenação, nada vai trazer Beatriz Milano de volta

Família criou campanha #PorTodasAsBias para dar visibilidade para outros casos de feminicídio | Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

O médico Fernando Veríssimo de Carvalho foi condenado a 40 anos e oito meses de prisão pelo júri popular na cidade de Rondonópolis, interior do Mato Grosso, por ter matado a namorada Beatriz Milano, em 2018. Ele foi condenado por homicídio quadruplamente qualificado e aborto sem consentimento da vítima. 

Na época a veterinária tinha 27 anos e estava grávida de cinco meses. A acusação se baseou na perícia feita no corpo da vítima que indicava que ela tinha sofrido um traumatismo intracraniano ocasionado por uma agressão. Fernando está preso desde dezembro de 2018. Ele sempre negou ser o autor do crime. Segundo sua versão, a morte de Beatriz teria acontecido de forma natural.

“A gente sabia que haveria a condenação, mas a verdade é que mesmo sendo feita a justiça, a Bia não vai voltar. Mas o que foi possível fazer, foi feito”, relata a madrinha da vítima, Cilene Marcondes.

A defesa de Fernando Carvalho irá recorrer da decisão do júri, mas a família de Beatriz acredita que não haverá mudanças acerca da condenação do ex-namorado. “Quando acabar todas as chances dele recorrer, iremos ingressar com um pedido no Conselho Regional de Medicina para que ele não possa mais exercer a profissão. É inconcebível quev alguém que utilizou dos seus conhecimentos médicos para matar outra pessoa continue atendendo pacientes por aí”, informou Cilene.

Um dos momento mais tensos para os familiares de Beatriz foi quando o legista detalhou a forma com que ela teria sido morta. O laudo da perícia indica que a veterinária morreu com traumatismo infra encefálico, que não podem ser vistos porque são lesões que ocorrem por baixo do couro cabeludo. Segundo a promotoria, a hipótese de ela ter morrido acidentalmente, com uma queda, por exemplo, é descartada pois foram encontradas pelo menos quatro marcas em diferentes pontos da cabeça da vítima.

Luta contra o feminicídio

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados no ano passado 1.350 casos de feminicídio no Brasil, o que dá, em média, uma morte violenta de mulheres a cada seis horas e meia. Baseados em números como esse e tendo vivenciado um caso próximo, parentes e amigos de Beatriz Milano criaram a campanha #PorTodasAsBias nas redes sociais. A mobilização serve para acolher pessoas e familiares vítimas de casos como o da veterinária e dar voz a quem não tem acesso.

“O caso da Bia só teve esse desfecho porque havia uma rede com mecanismos muito sofisticados para buscar as provas do assassinato dela, mas sabemos que grande parte de familiares e vítimas de violência contra mulher não tem essa rede de apoio”, destaca Cilene.

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Para a madrinha da vítima, a condenação do ex-namorado de Beatriz serve para mostrar que crimes de feminicídio não podem ficar sem condenação pela Justiça e que o caso pode servir de exemplo para outros homens que venham cometer violência contra mulheres. “O Fernando só fez isso porque achava que nada ia acontecer com ele, por ser homem, por ser branco, por ser médico.”

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