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O Retrato: como a polícia e a mídia destruíram a vida de um inocente

03/07/20 por Leonardo Koch, especial para a Ponte Jornalismo

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Em 2000, a polícia de SC manipulou a foto de um inocente pobre, Aluísio Plocharski, para transformá-la no retrato falado do “maníaco da bicicleta”

Em outubro de 2000, notícias sobre um criminoso sexual que aterrorizava as mulheres na região central de Joinville, em Santa Catarina, se espalharam pelo país. Os jornalistas batizaram o estuprador de “maníaco da bicicleta” e passaram a exigir sua prisão. Para dar resposta à pressão midiática, a polícia prendeu um inocente, o jardinheiro Aluísio Plocharski. Ele acabou inocentado, mas sua vida foi destruída.

“É um rapaz que, se havia pecado, em 18 anos pagou tudo o que tinha para pagar, com o desprezo de todas as pessoas que olhavam”, conta a irmã dele, Áurea Plocharski.

Leia também: Como fabricar um culpado

O jornalista Salvador Neto, autor, juntamente com Marco Schettert, do livro Na Teia da Mídia, que denuncia a injustiça praticada contra Plocharski, conta que a Polícia Civil, na época, manipulou digitalmente uma foto de Aluísio e divulgou a imagem como sendo o retrato falado do “maníaco da bicicleta”.

“Havia um fator de marketing político extraordinário, que aproveitou o crime para repercussão na mídia nacional”, comenta outro jornalista, Altamir Andrade.

O homem que seria o verdadeiro responsável pelos estupros, Marlon Cristiano Duarte, foi preso em 2001 e, segundo a polícia, confessou os crimes.

Mesmo inocentado, Aluísio Plocharski não voltou a a ter paz. “O pessoal estava recusando ele. Ia para a igreja, o o pessoal levantava e deixava ele sozinho. Entrava no ônibus, ficavam com medo dele. Não andava mais na rua com medo de ser atacado por alguém”, conta o aposentado Rubens Schubert.

A família processou veículos de imprensa e o Estado de Santa Catarina por danos morais. A Justiça negou o pedido de indenização contra os veículos de comunicação, mas condenou o Estado a pagar R$ 270 mil. Ninguém nunca recebeu esse dinheiro. Aluísio, seu pai e sua mãe morreram antes de serem indenizados.

Arte: Yan Nero

A Polícia Civil de SC foi procurada e informou que por causa do tempo decorrido não conseguiriam atender ao questionamento nesta sexta-feira. “Faremos consulta sobre o processo e assim que possível, retornaremos com o solicitado”, diz a nota.

Documentário originalmente produzido como projeto experimental na Faculdade Ielusc

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