Presos vão responder por organização criminosa e corrupção
Ação deflagrada na manhã desta quinta-feira (29/06) prendeu 62 PMs e 22 traficantes por organização criminosa e corrupção no Rio de Janeiro, segundo a SESEG (Secretaria de Segurança do Estado do RJ). A Operação Calabar, como foi batizada, visou cumprir mandados de prisão preventiva de 96 policiais militares lotados no 7º BPM (São Gonçalo) e 71 traficantes da região, denunciados pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) à Justiça.
A operação foi desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em conjunto com a DHNSG (Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo), o 72ª DP e a Corregedoria da Polícia Militar.
Segundo o MPRJ, “ao longo de dois anos, os PMs receberam dinheiro em troca de não coibir o tráfico de drogas na região”. Os militares, portanto, vão responder pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva, enquanto os traficantes foram denunciados por associação para o tráfico e corrupção ativa.
O Ministério Público ainda disse que cinco civis foram denunciados com a acusação de terem intermediado as propinas.
Entre os denunciados, de acordo com o MPRJ, estão Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, que “constava como recebedor de recursos do tráfico local”. Além de Shumaker Antonácio do Rosário e Érico dos Santos Nascimento, o Farme, considerados líderes locais.
Do lado dos policiais denunciados estão integrantes de pelo menos sete GATs (Grupamentos de Ações Táticas), de P2 (Serviço Reservado) e dos DPOs (Destacamentos de Policiamento Ostensivo) do Salgueiro, Santa Luzia, Santa Izabel, Jockey, Jardim Catarina, Ocupação Coruja, Alto dos Mineiros, Shopping São Gonçalo, entre outras unidades.
Em nota publicada nas redes sociais, a PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro) disse que os policiais iniciaram o dia “incomodados pela operação”, por sentir “na própria pele toda vez que policiais militares são acusados de crimes graves”. No entanto, disse que a operação é “necessária para fortalecê-los”.
O MPRJ disse que as investigações começaram em 2016, quando um homem foi preso com dinheiro vindo de “comunidades controladas pelo tráfico de São Gonçalo que seria entregue a PMs”.
O homem preso, então, deu informações para contribuir com as investigações que chegaram aos PMs. Além disso, “foram utilizadas interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que flagraram os policiais utilizando telefones particulares e outros sem identificação de cadastro nas negociações”.
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