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PM que disse ser vergonha não matar 3 pessoas em 5 anos ganha cargo de chefia

23/03/18 por Arthur Stabile e Carlos Castro

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Tenente Guilherme Derrite se tornou braço direito do capitão Marcos Palumbo no Corpo de Bombeiros e auxilia comando da corporação em relacionamento com a imprensa

O primeiro tenente da Polícia Militar de São Paulo Guilherme Derrite costuma dizer em seu perfil pessoal, com mais de 1,5 milhão de seguidores no Facebook, que aquele que uma vez foi da Rota, a considerada tropa de elite da polícia paulista, sempre será integrante daquele batalhão, independente de onde esteja alocado.

Com passagem pela Rota e, depois, pela escola de soldados, Derrite foi detido por um dia na Corregedoria da corporação em julho de 2015. Isso depois de a Ponte ter revelado um áudio gravado pelo tenente em que ele criticava o Comando da PM, que estava mudando policiais de batalhões, com históricos de supostos tiroteios seguidos de morte, com o objetivo de reduzir a letalidade policial.

“Porque pro camarada [policial] trabalhar cinco anos na rua e não ter ma… três ocorrências [em que suspeitos morreram a tiros disparados pelo policial], na minha opinião, é vergonhoso, né?! Mas é a minha opinião”, afirmou o militar.

A revolta de Derrite ocorreu porque o Comando decidiu tirar da tropa de elite da PM o tenente Rafael Telhada, filho do deputado estadual Paulo Telhada (PP). Derrite foi o “padrinho de braçal” do batalhão do filho de Telhada. À época, a Ponte solicitou entrevista com Guilherme e Rafael, mas o pedido não foi atendido.

Quase três anos depois, Derrite agora é braço direito do capitão Marcos Palumbo, da comunicação social do Corpo de Bombeiros. Com participação quase diária em programas que reproduzem violência na televisão aberta, Palumbo agora tem a companhia de Derrite para falar com os apresentadores.

Durante a chuva que atingiu a capital paulista na última terça-feira (20/03), em que três pessoas (um bebê, um adulto e uma idosa) morreram, Derrite se emocionou ao vivo durante um desses programas de TV, ao revelar que bombeiros conseguiram salvar três crianças soterradas.

Derrite (à esq.), novo braço direito do capitão Palumbo (dir.) | Foto: reprodução/Facebook

“É emocionante. Para um bombeiro, para um policial militar. Isso salva o nosso dia. Nossos heróis salvaram essas crianças e isso nos deixa muito feliz, porque lutamos por isso todos os dias”, afirmou o tenente. No mesmo dia, ele se gravou, ao vivo para seus seguidores na internet, enquanto falava no programa.

Enquanto pensa em salvar crianças na televisão, Derrite mantém seu histórico de achar vergonhoso policial não matar durante seu trabalho e apoia, nas redes sociais, Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSL. Também presta apoio a policiais envolvidos em ocorrências com mortes e não se manifesta em casos de condenação, como os três PMs culpados pela Justiça por participação na chacina de Osasco.

Em entrevista com a Ponte, o tenente Derrite afirmou que “já foi esclarecida” a fala sobre ser “vergonhoso” um policial se envolver em menos de três ocorrências com mortes num período de cinco anos. “Era um diálogo informal que foi gravado e repassado sem meu consentimento entre amigos. Fui objeto de apuração, ouvido pela corregedoria da PM a partir das declarações, gerou-se um inquérito policial militar e, na Justiça Militar, acabei absolvido. Não há o que se falar pois a Justiça se posicionou pela absolvição”, argumentou.

Segundo ele, esta nova função junto ao capitão Palumbo é feita há três semanas em dias de alta demanda por parte da imprensa. E usa seu trabalho nos bombeiros para sustentar a fala anterior. “Estou no Corpo de Bombeiros há dois anos e meio, tanto é prova que nem sei quantas vidas já salvei. Foram crianças, incêndio, pessoas presas em ferragem, salvamento ao vivo pela televisão de altura com um operário… Não tem sensação melhor do que salvar uma vida”, garante Derrite.

Em sua página, Derrite compartilha fotos com o presidenciável Jair Bolsonaro | Foto: reprodução/Facebook

Questionado pela reportagem, o capitão Marcos Palumbo disse desconhecer a fala dita pelo seu braço direito há três anos e solicitou que fosse feito pedido de posicionamento à corporação. Em e-mail, o corpo de Bombeiros respondeu que “esse assunto não possui relacionamento institucional com o Corpo de Bombeiros”.

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