PMs suspeitos de usarem ‘kit flagrante’ em 2017 são expulsos da corporação

    Quatro foram expulsos acusados de tráfico de drogas e com suspeita de envolvimento com PCC e dois foram demitidos acusados de homicídio e por alterar cena do crime

    Drogas encontradas no ano passado no porta malas da viatura | Foto: reprodução

    A Polícia Militar de São Paulo expulsou, na última sexta-feira (13/4), quatro soldados por envolvimento com tráfico de drogas e suposta ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). São eles: Edson Luiz Menezes da Silva, Vitor Hugo Batista Colombo, André Nascimento Pires e Rodrigo Guimarães Gama. Os dois últimos foram pegos, em janeiro do ano passado, acusados de usar o chamado “kit flagrante” (drogas para serem usadas em simulações de flagrantes), conforme noticiou a Ponte. Quinze dias depois disso, além da dupla, outros dez PMs foram presos por suposto envolvimento com o tráfico.

    Segundo informou o UOL, um dos promotores do MPM (Ministério Público Militar) disse que, além do possível uso para forjar prisões ou extorquir dinheiro de traficantes, outra suspeita é que eles transportavam drogas para o PCC.

    Além deles, outros dois policiais – José Rogério de Souza e Paulo Henrique Rezende da Silva – foram demitidos acusados de homicídio e de alterar a cena do crime, de acordo com publicação do Diário Oficial do sábado (14/4). Eles são acusados de terem simulado um atropelamento para esconder o assassinato do vigilante Alex de Morais, de 39 anos e que tinha um filho, à época, de 9 anos, no dia 11 outubro de 2015. Alex voltava para a casa em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, quando foi alvejado. Um dos disparos atingiu a nuca. O MP apresentaria denúncia um mês depois contra os dois PMs informando que José Rogério e Paulo Henrique “agiram com vontade de matar”.

    Pires e Gama carregavam drogas e duas cervejas no interior da viatura | Foto: Reprodução

    Os outros dois PMs expulsos foram presos em flagrante, no dia 16 de maio de 2016, com 130 quilos em Guia Lopes da Laguna, a pouco mais de 200 km de Campo Grande (MS). Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), Edson Luiz Menezes da Silva e um outro homem estavam fazendo escolta para o soldado Vitor Hugo Batista Colombo.

    A Ponte procurou a SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) através da assessoria de imprensa privada, a CDN Comunicação, para comentar as expulsões e demissões, mas, até o momento, não recebeu retorno.

    A prática do kit continua

    Na semana passada, mais um episódio envolvendo o uso de “kit flagrante” aconteceu, dessa vez envolvendo a prisão de 11 policiais, que já estavam sendo investigados pela Corregedoria da PM por causa de um suposto envolvimento em uma perseguição que terminou na morte de Felipe Lemos de Oliveira, em outubro de 2017. Todos os PMs foram presos e ao passar pela audiência de custódia no Tribunal de Justiça Militar, tiveram as prisões convertidas em preventivas e aguardarão o processo detidos.

     

     

    Já que Tamo junto até aqui…

    Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

    Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

    Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

    Ajude

    mais lidas