Policiais tentam apreender imagens de fotógrafo da Ponte

02/12/19 por Arthur Stabile

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Daniel Arroyo registrava manifestação de moradores de Paraisópolis, revoltados com a morte de 9 jovens em ação da PM durante baile funk

Policiais militares do 16º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano) abordaram o fotógrafo Daniel Arroyo, da Ponte Jornalismo, e exigiram que ele lhes entregasse imagens feitas na cobertura de uma manifestação ocorrida em Paraisópolis, zona sul da cidade de São Paulo, neste domingo (1º /12).

Arroyo cobria ato mobilizado por moradores em resposta às mortes de nove pessoas pisoteadas em ação da PM no baile funk que ocorria na comunidade na madrugada. O fotógrafo acompanhava o trajeto do ato e parou para fazer imagens da abordagem policial a um motociclista.

Ao fotografar a abordagem, ele também teve de mostrar seus documentos e os PMs exigiram as imagens que Arroyo havia feito. “Comecei a fazer foto do enquadro, que foi tranquilo, nada de mais. Ele [motoqueiro] estava com a bolsa de uma empresa de entregas, mostrava o celular e argumentava que estava fazendo uma entrega. Foi quando parte do ato voltou e uns garotos jogaram uma bombinha na base. Os PMs vieram para cima de mim, queriam pegar as imagens”, explica.

Em seguida, os policiais questionaram se Arroyo havia registrado a cena e se iria publicá-la. Com a resposta positiva, pediram que ele lhes entregasse as imagens, o que foi negado. “Falei que ia passar tudo nos vídeos que faria, tanto cenas do protesto como aquela situação. Eles queriam meu telefone e minhas imagens”, conta.

Daniel Arroyo é obrigado a mostrar imagens que fez do protesto para PMs | Foto: Lucas Martins/Jornalistas Livres

Os policiais insistiram para que o fotógrafo passasse um contato telefônico para “caso eles precisassem” das imagens e, com uma nova recusa, pediram a identificação de Daniel Arroyo e oficializaram uma abordagem ao consultar no sistema online da corporação o número do RG de Arroyo.

Presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), o advogado Dimitri Sales interferiu na ação dos PMs, dizendo que o ato era cerceamento da liberdade de imprensa, o que não adiantou muito, segundo Daniel. O fotógrafo foi liberado só após Sales passar seu próprio número de telefone para os PMs. Minutos depois, um PM que se identificou como cabo Marques telefonou para Sales.

A Ponte Jornalismo entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, geria pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB) e questionou a abordagem feita pelos PMs. Até agora, aguarda um posicionamento oficial.

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