No episódio 31, falamos sobre uma reintegração de posse, a condenação do jovem que teve a testa tatuada, a liberdade de Babiy e os cortes da Ancine
Algumas coberturas realizadas nesta semana pela nossa equipe tem, em comum, uma questão fundamental: a ameaça do direito de existir. Na quinta-feira (12/9), por exemplo, retroescavadeiras destruíram os sonhos de 700 famílias que ocupavam um terreno na Grande São Paulo. A área, diga-se, era pública e justamente destinada para construção de moradias populares, coisa que nunca aconteceu.
Na terça-feira (10/9), Ruan Rocha da Silva, o garoto que em 2017 teve a testa tatuada com a frase “Eu sou ladrão e vacilão”, foi condenado por roubo a 4 anos e 8 meses de prisão. Desde o episódio da agressão que ele sofreu, Ruan passou por internação para desintoxicação e também teve sessões de remoção da tatuagem custeadas pelo dono da clínica, que se comoveu com a história. Durante o período, teve duas recaídas que terminaram com a condenação dele. Especialistas ouvidos pelo repórter Paulo Eduardo Dias criticaram alguns pontos da sentença: o Ministério Público acusou o jovem por furto e a juíza Sandra Regina Nostre Marques aplicou pena por roubo, considerou apenas o depoimento da vítima e a desconsideração do contexto social no qual Ruan está inserido. A magistrada chegou a dizer que ele tinha que ficar preso por ser perigoso.
Arthur Stabile comenta os bastidores da entrevista com Barbara Querino, a Babiy, que recebeu progressão de regime essa semana e voltou para a casa. Babiy é uma modelo e dançarina negra que foi condenada por causa do cabelo.
E, por fim, falamos sobre a cultura, seriamente atacada pelo governo Bolsonaro, que tomou recentes decisões que acertam em cheio os produtores do cinema no Brasil. Nesta quinta-feira (12/9), a produtora O2 anunciou o cancelamento da estreia de “Marighella”, de Wagner Moura, prevista para dia 20 de novembro. O motivo: corte de verbas da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Mas o caso não é pontual: a agência desfez compromissos com outras produções cinematográficas que iriam participar de reconhecidos festivais internacionais. Uma delas é “Entre”, dirigido por Ana Carolina Marinho e Bárbara Santos. “A gente entende que é uma tentativa de boicote, de não fazer com que os filmes brasileiros circulem e junto com ele não circular o debate do que estamos vivendo no Brasil”, afirma Ana Carolina em participação no PonteCast.
O grupo de pesquisa e produção do qual Ana Carolina faz parte decidiu abrir uma vaquinha online para conseguir realizar a viagem. Confira clicando aqui na campanha Arenga in London.
