Procurador da República processa agência que combate fake news por combater fake news

    Aílton Benedito conclamou seguidores a processar agência Aos Fatos após ser classificado como um dos maiores propagadores de informações sobre a cloroquina. “Não admitimos ameaças contra o exercício do jornalismo”, diz agência

    O procurador Aílton Benedito | Foto: Divulgação / MPF

    O procurador da República e ex-secretário de Direitos Humanos e Defesa Coletiva do Ministério Público Federal Aílton Benedito anunciou no Twitter na manhã desta quarta-feira (11) que está processando a agência de checagem de notícias Aos Fatos.

    Benedito, notório apoiador de Jair Bolsonaro (sem partido), foi classificado pela agência como um dos principais propagadores de informações incorretas a respeito da cloroquina, remédio apontado, sem evidências científicas, como a cura para a Covid-19.

    Além disso Benedito também conclamou seus seguidores a entrar com ações judiciais contra a agência. “É o que devem fazer todas as vítimas que sofrem violações a seus direitos fundamentais praticadas por autodeclaradas ‘agências de checagem de fatos'”, afirmou em seu post.

    As postagens ganharam respostas imediatas de jornalistas e de organizações. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) tuitou dizendo que “todo jornalista tem o direito e o dever de checar falsidades vindas de quaisquer autoridades. Chama-se liberdade de imprensa e direito à informação”.

    Procurada, a Aos Fatos informou que “segue sua missão de checar declarações e boatos nas redes, amparado nos direitos constitucionais da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Conforme os melhores parâmetros éticos, damos espaço à divergência, ouvimos o outro lado, mas não admitimos ameaças contra o exercício do jornalismo. Repudiamos qualquer tentativa de cercear nossas atividades e de quaisquer jornalistas que tenham compromisso com a verdade factual”.

    A Ponte pediu entrevista com o procurador via assessoria de imprensa do MPF e vai atualizar este texto quando obtiver alguma resposta.

    ERRATA: Uma versão anterior desta reportagem informava que Aílton Benedito é procurador federal, e não procurador da República. O texto foi atualizado com a informação às 16h08 do dia 11/11/2020

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