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‘Quando vão parar de matar nossos filhos?’, pergunta mãe de professor assassinado no Rio

15/05/19 por Caê Vasconcelos

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Jean Rodrigo da Silva Aldrovande foi baleado quando chegava ao trabalho em uma escola no Complexo do Alemão; segundo moradores, ele foi atingido em operação da PM

Jean dava aulas há 7 anos e foi morto com um tiro na cabeça | Foto: arquivo pessoal

Na última terça-feira (14/5), um professor  de artes marciais foi atingido quando ia para a escola Maneco Team, onde dava aulas de jiu-jitsu. Jean Rodrigo da Silva Aldrovande, 39 anos, dava aulas há 7 anos em um projeto social voltado para a comunidade. Atingido na cabeça, ele morreu na hora. No dia 25 de maio, Jean participaria do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu. Segundo moradores, o professor foi atingido durante uma operação da Polícia Militar na entrada da Relicário, no Complexo do Alemão. Segundo informações do G1, a PM do RJ e a Delegacia de Homicídios investigam o caso.

Em entrevista coletiva à imprensa, Sandra Mara, mãe do professor, questiona quando a polícia do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) vai parar de matar. “Quando a polícia dele vai acabar? Parar de matar o meu filho, os filhos da gente e vai prender bandido? Quando eles vão parar de matar? É isso que eu quero saber. Pergunta pro Witzel. Quando que a polícia dele vai parar de matar os trabalhadores, pais de família? Meu filho era pai de 4 filhos. Quem vai sustentar os filhos do meu filho?”, revolta-se a mãe do professor.

De acordo com o jornal Extra, Jean foi baleado quando estacionou seu carro em frente ao projeto social. Um aluno, que estava próximo ao atleta, também foi atingido por disparo nas pernas e foi encaminhado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. Em entrevista ao Extra, Andreia Rios, mulher do professor, contou que ele era “referência para jovens e adolescentes do Alemão”. “Ele tirou muito jovem do crime. Era aquele tipo de pessoa que estimulava os alunos, conseguia quimono para quem não tinha. Era uma pessoa muito especial”, afirma Andreia.

Revoltados com a morte do professor, moradores da Fazendinha, no Alemão, fizeram um protesto queimando pneus e galhos de árvores.  Imagens divulgadas pelo Voz da Comunidade, veículo de comunicação das favelas, mostra o momento do ato de repúdio à morte do professor.

Raull Santiago, ativista social e midiativista no Coletivo Papo Reto (coletivo de comunicação independente de jovens moradores dos Complexos do Alemão e Penha), usou as redes sociais para denunciar o caso. “Chamaram de ‘guerra às drogas’ a desculpa para derramar o sangue pobre e controlar de forma violenta a vida do nosso povo. Hoje, um professor de jiu-jitsu foi assassinado com um tiro na cabeça durante uma operação da PM na favela. Um jovem que estava próximo do local onde aconteceu o assassinato, também foi baleado. Uma vida arrancada, outra atravessada pelo terror se encontrar aquilo que chamam de “bala perdida” mas que chega todos os dias como política pública nas favelas, encontrando nossos corpos e nossas casas!”, criticou Raull.

https://www.instagram.com/p/BxddCTmFMz9/

Renata Souza, deputada estadual do Psol-RJ, que também é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), vem usando seu mandato para denunciar o governo de Witzel e também repudiou a morte do professor em uma rede social. “Ontem, uma operação policial no Alemão fez mais uma vítima inocente: Jean, professor de Jiu-Jitsu, pai de quatro filhos. São vários trabalhadores, pais, mães, filhos, que saem de casa todos os dias para trabalhar sem saber o que pode se passar com seus familiares e amigos. A lógica da “guerra” vitima moradores e policiais e não demonstra qualquer eficácia. À mãe de Jean e sua família, nossos sentimentos e toda solidariedade. Ao Jean, toda nossa luta para transformar essa política de segurança pública”, escreveu a parlamentar.

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