Regida pelos tambores, Comunidade Quilombaque promove resistência e manifestações artísticas na periferia

O oitavo episódio de Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia conta como o coletivo que atua desde 2005 no bairro de Perus, em SP, uniu forças da comunidade para se reinventar

Há 15 anos, o som dos tambores reuniu um grupo de jovens no bairro de Perus, na zona noroeste da capital paulista, e criou um ponto de referência artística para os moradores da região. Foi através dos instrumentos de percussão que a Comunidade Cultural Quilombaque nasceu e tornou-se um movimento político e étnico-cultural apoiado na cultura afro-brasileira. A trajetória de como o coletivo se transformou nos últimos anos é o tema do oitavo episódio de Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia, série feita pela Ponte em parceria com a Todos Negros do Mundo (TNM) disponível no Youtube e transmitida na Rede TVT.

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Um dos precursores desta inciativa foi Dedê Ferreira que até hoje atua para promover o crescimento da Quilombaque. No bate-papo com a apresentadora Stephanie Catarino, ele conta que a princípio o grupo foi formado na garagem de uma casa e depois ocupou as ruas do bairro com cortejos de percussão, agregando outras expressões artísticas.

Apesar do preconceito de alguns moradores com os ritmos afro-brasileiros, o grupo conseguiu criar um vínculo com a quebrada e reforçou a sua missão de desenvolver a região. “Aqui no bairro de Perus ainda não tem nenhuma casa de cultura. O único espaço de cultura é a biblioteca do bairro. E a partir disso, a gente começou a transformar esse bairro em referência cultural e um território educativo”, comenta Dedê.

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Segundo ele, a formação do coletivo se baseou na “servirologia”, ou seja, na arte de se virar. A resistência envolveu moradores e artistas por meio das oficinas culturais e possibilitou a Quilombaque inaugurar um espaço próprio na comunidade. “A gente tem um museu aberto no nosso território, tem uma agência de turismo, um cento de defesa dos direitos humanos, temos duas ocupações culturais que é o Cineteatro e uma casa de hip hop. Foi assim que os artistas criaram esse território educativo que temos aqui em Perus hoje”.

O coletivo também ganhou o apoio de políticas públicas voltadas à cultura periférica e firmou parcerias com a Coalizão Negra por Direitos e a UNEafro, movimento de educação popular, que possibilitaram enfrentar os desafios da pandemia. “Trocamos a arte pela ação social e começamos a distribuir alimentos, cestas básicas e itens de higiene”, detalha Dedê sobre a campanha feita na região.

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Ao todo, foram mais de 300 toneladas de alimentos doados aos moradores e até mesmo comunidades indígenas. Segundo o produtor cultural, a sede foi fechada e o coletivo precisou realizar suas atividades de forma online neste período. Com o apoio de uma campanha de financiamento promovida pela comunidade, o terreno da sede foi comprado e a Quilombaque segue na luta e na expectativa de receber o público de volta.

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