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Repórter Brasil sofre ataques cibernéticos, ameaças e tentativa de invasão de sede

12/01/21 por Caê Vasconcelos

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Organização tem recebido milhões de ataques em seu servidor e e-mails exigindo censura de seu site. Diretora da Artigo 19 diz que ofensiva é “parte da estratégia de desinformação e controle autoritário”

Site da Repórter Brasil tem sofrido ataques sistemáticos desde o dia 6 de janeiro

O ano começou conturbado para os jornalistas da Repórter Brasil. Desde o dia 6 de janeiro, a organização tem sofrido ataques sistemáticos que têm tirado o site do ar, além de e-mails com ameaças.

Em mensagens anônimas, a Repórter foi informada de que deveria remover do site três anos de conteúdo, de 2003 a 2005, se quisessem que os problemas técnicos parassem. A Repórter Brasil é um portal especializado em pautas ambientais e de direitos humanos, como denúncias de trabalho análogo à escravidão.

Em entrevista à Ponte, o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, diretor da Repórter Brasil, conta que esses ataques não são novidade. “Tentativa de invadir o site é algo que temos recebido há anos, tanto que temos uma segurança reforçada. No passado conseguiram remover e mudar conteúdo de matéria, por isso pagamos uma empresa de segurança”.

O que é novo, continua Sakamoto, são os e-mails com ameaças. “As pessoas estão tentando nos chantagear. Ou vocês tiram três anos de matérias do ar ou derrubamos vocês. São ataques anônimos, não é que estão entrando na Justiça para derrubar, é um anônimo tentando derrubar de forma anônima”, explica o diretor.

Mas a Repórter Brasil não cedeu as chantagens. “A gente não tirou e continuamos sendo atacados sistematicamente várias vezes por dia. Desde o dia 6 recebemos ataques que nos tiram do ar. Temos recebido ataques muito ferozes contra o site, ataques de milhões e milhões de acessos em poucos minutos A nossa equipe vai e consegue neutralizar os ataques, mas atacam de novo e de novo”.

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Além dos ataques virtuais, a sede da Repórter Brasil sofreu uma tentativa de invasão, que foi impedida com a chegada de vizinhos. Sakamoto avalia que não dá para afirmar que a tentativa de invasão tem a ver com os ataques cibernéticos, mas que a organização registrou dois boletins de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo.

Sakamoto argumenta que os ataques são apenas uma etapa do ambiente “totalmente intoxicado e envenenado pelo comportamento de determinadas autoridades. “A partir do momento que as autoridades se tornam vetores de ataques à liberdade de imprensa e de expressão, que elas chamam ataques contra a mídia, seja tradicional ou alternativa, elas ajudam a contaminar esse ambiente e ser uma das primeiras a criarem esse tipo de situação”.

“Com isso temos uma situação em que empresários e sociedade civil mal-intencionada se sinta empoderada para poder atacar a imprensa por sentir que tem um ambiente de impunidade para isso e que o poder público, através de algumas lideranças, incentiva esse tipo de ataque porque eles fazem isso”, aponta Sakamoto.

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Para Denise Dora, diretora-executiva da ONG Artigo 19, a “onda de ataques” contra coletivos de comunicação, blogs e sites de notícias é “parte da estratégia de desinformação e controle autoritário”, já que “o papel da imprensa, historicamente e mais de forma contemporânea, é checar dados, revelação de vozes alternativas, de espaço para opiniões diversas”.

“Nesse momento é um papel indispensável e exatamente por isso as forças autoritárias que governam o Brasil hoje falam contra a imprensa em todos os seus pronunciamentos. Se o pronunciamento é saúde ou vacina acaba com a crítica à imprensa. Essa é uma forma de autorizar a população a atacar a imprensa, seja a tradicional ou a alternativa”, aponta.

O ataque à Repórter Brasil, completa Denise Dora, “que produz jornalismo investigativo da maior qualidade, é ultra vulnerável a ataques, porque é exatamente contra isso que esses governantes vêm falando”, é um ataque à sociedade.

“É [um ataque] contra todas as pessoas que têm direito a ter acesso à informação precisa, correta, resultado de investigações. O ambiente liberdade e circulação de ideias são fundamentais para a democracia”.

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A FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e o SJSP (Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo), em nota coletiva enviada à Ponte, condenaram os ataques cibernéticos e ameaças recebidos pela Repórter Brasil.

“Os reiterados ataques cibernéticos tiraram, mais de uma, o site do ar e foram seguidos de  ameaças e chantagens para a retirada de reportagens do  site, compreendendo o período de 2003 a 2005. Houve ainda tentativa de invasão física da sede do site jornalístico”, apontaram.

As entidades afirmam que “é a primeira vez que temos no Brasil um ataque cibernético com objetivo assumido de censura, portanto, assumidamente um ataque à liberdade de imprensa” e exigem “uma ação imediata, por parte das Polícias Civil e Federal, para identificação dos responsáveis”.

Em nota publicada em seu site, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), apontou que “os criminosos usaram uma tática chamada DDoS (negação de serviço distribuída, em tradução livre), na qual um hacker comanda um exército de bots para requisitar acesso a determinado site. Não aguentando a demanda, os recursos do servidor colapsam”.

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A Abraji também cobrou as autoridades para que “apurem os ataques com rapidez e identifiquem os criminosos”. “Os episódios não são apenas uma ameaça concreta à imprensa livre. Representam um atentado à sociedade, que tem o direito de se informar por meio de veículos independentes e plurais, como a Repórter Brasil”.

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