Testemunha diz que Rota mentiu sobre tiroteio com 2 mortos e 14 PMs são presos

08/08/15 por André Caramante

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Ela afirma que um dos baleados foi detido por policiais militares, em Guarulhos (Grande São Paulo), horas antes de sua morte em Pirituba (zona oeste de SP), a cerca de 32 km de distância. Defensor de PMs afirma que tiroteio foi legítimo
Caramante

Catorze integrantes da Rota, suposta tropa de elite da PM de SP, foram presos sob suspeita de forjar tiroteio com dois mortos

Um pelotão inteiro da Rota, suposta tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, foi preso no fim da tarde desta quinta-feira (06/08) sob a suspeita de ter forjado um tiroteio para tentar justificar a morte de dois homens. As duas mortes aconteceram em um matagal na avenida Doutor Felipe Pinel, em Pirituba (zona oeste de São Paulo).

A prisão dos 14 integrantes da Rota é administrativa, por cinco dias, e aconteceu porque uma testemunha ouvida pela Corregedoria (órgão fiscalizador) da Polícia Militar de SP afirmou que um dos dois homens mortos havia sido preso antes do tiroteio alegado pelos militares.

A testemunha disse à Corregedoria da PM que os PMs da Rota teriam detido um dos dois mortos em Guarulhos (Grande São Paulo) e o levado para Pirituba, onde ele foi envolvido em tiroteio simulado. Localizada na região metropolitana norte, a cidade Guarulhos fica distante cerca de 32 km de Pirituba, bairro da zona oeste da capital paulista. 

Na fim da tarde de quinta-feira, os PMs da Rota disseram ter matado os dois homens em Pirituba porque eles tentaram resistir à prisão. Um terceiro homem conseguiu escapar do cerca dos PMs e fugiu pelo mesmo matagal onde os outros dois foram mortos.

O trio estava em um carro sem registro de roubo ou furto. Segundo a versão dos PMs da Rota, os homens estavam armados e carregavam dois artefatos explosivos. Quando foram localizados pela Rota, eles tentaram fugir, foram alcançados, abandonaram o veículo e trocaram tiros.

Outro lado

Segundo o advogado João Carlos Campanini, a prisão dos 14 PMs da Rota é inconstitucional. “Eles [PM] simplesmente foram presos e não tiveram o direito de defesa”, disse. Na sexta-feira (07/08), o defensor dos PMs fez um pedido de libertação deles, mas a Justiça Militar decidiu que os homens da Rota devem permanecer presos ao menos até terça-feira (11/08).

O advogado também sustenta que o tiroteio que resultou na morte dos dois homens foi legítimo. “Foi aquilo mesmo o que aconteceu. Eles perseguiram três homens em um carro e dois deles morreram na troca de tiros”.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, além das prisões dos 14 PMs da Rota, também foram apreendidos uma submetralhadora 9 mm., um revólver, um colete à prova de balas e duas dinamites.

A pasta se recusou a informar os nomes e os números dos registros dos PMs da Rota presos pela corregedoria da corporação.

Até a conclusão desta reportagem, a Secretaria da Segurança ainda não havia identificado os dois mortos pela Rota.

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