Vítima de feminicídio na zona leste de SP sofria violência há pelo menos 8 meses

Lucas e Rafaela | Foto: arquivo pessoal

Em entrevista à Ponte, mãe de Rafaela, morta pelo companheiro, desmente versão dele e conta que o relacionamento do casal, que começou a morar junto em março, sempre foi abusivo

O assassino confesso Lucas de Paula da Silva e a vítima Rafaela Lima Paula Souza | Foto: arquivo pessoal

“Ele prendia minha filha dentro de casa. Tinha ciúmes doentio. Ela vivia dentro daquela casa”. O desabafo é de Rose Mary Santos Lima de Souza, de 60 anos, ao lembrar da filha, que ela define como uma mulher alegre e adorada por todos. Rafaela Lima Paula Souza, de 30 anos, foi assassinada pelo companheiro Lucas de Paula da Silva, 23 anos, no último sábado (16/12), por volta das 5h. No boletim de ocorrência, Lucas alegou que matou a mulher por causa de uma traição confessa. “É tudo mentira”, rebate Rose, em entrevista por telefone à Ponte.

Lucas confessou o feminicídio quando foi preso, na manhã desta segunda-feira (18/12), após ser abordado por policiais militares na frente de sua casa, na Rua João da Silva Aguiar, 469, no Lajeado, zona leste da capital paulista. No boletim de ocorrência, registrado no 68º DP, os PMs explicam que desconfiaram de Lucas, porque ele se demonstrou nervoso e muito inquieto. Logo em seguida, acabou confessando que havia matado a esposa dele no sábado (16/12) e que o corpo dela ainda estava enrolado em cobertores, junto com a faca usada no crime, embaixo de três cadeiras na cozinha da casa. O caso foi enquadrado como homicídio qualificado, com pelo menos duas qualificadoras – motivo torpe e meio cruel – pelo delegado Renzo Henrique Zorzi, que entendeu que Lucas deve ir para prisão temporária de 30 dias, porque pode prejudicar as investigações do caso, já que mora no mesmo local do crime. 

Na versão de Lucas, o motivo de ter matado Rafaela foi uma suposta traição. Segundo ele, enquanto ela estava tomando banho recebeu uma ligação de um número desconhecido, na qual um homem teria dito que mantinha relações sexuais com ela. Ao sair do banheiro, ele foi tirar satisfação e ela teria confirmado, fazendo com que , sob forte emoção, ele pegasse uma faca e matasse a mulher. Ele disse que morava com Rafaela há 3 anos.

Comportamento abusivo era conhecido

A mãe de Rafaela, Rose  Mary Santos Lima de Souza, no entanto, rebateu a versão de Lucas e contou que ele era muito ciumento, controlador e que estavam morando juntos desde março deste ano. Ela disse que o relacionamento do casal era tão abusivo que ele tinha o hábito de buscar Rafaela todos os dias no trabalho, em Santo André, porque não queria vê-la com mais ninguém. “Os amigos deixavam ela na rua de baixo, porque ela tinha medo de ele achar ruim”, disse.

Rafaela planejava viajar no dia 26/12, após o Natal | Foto: arquivo pessoal

“Ela era cheia vida e gostava muito de curtir cada momento como se fosse o último”, recorda Rosy. Rafaela estava muito animada para passar o natal em família e até planejava viajar para praia no dia 26. “Estou afirmando com todas palavras que minha filha não fez nada de errado. Esse monstro está difamando ela. É um psicopata. Mas a justiça vai ser feita”, afirma.

No dia do crime, Lucas Silva chegou a mandar uma mensagem de voz para José Luiz de Souza, 58 anos, pai de Rafaela, pelo celular dela, por volta de 8h30, falando que estava fazendo um bico e que nenhum dos dois estava em casa. Existe a suspeita de que a essa hora ela já estaria morta. Em outra mensagem, ele reforça que não estão em casa e que mais tarde iriam para uma festa juntos.

Os pais da vítima acharam tudo muito estranho, até que José Luiz decidiu ir até a casa. Chegando no local, se deparou com cadeados diferentes dos que geralmente ficavam na fechadura. “Ele trocou os cadeados. Eu falei pro meu marido não ficar pensando que era algo ruim. Mas não tinha como. A gente até desconfia que tenha mais alguém envolvido”, disse Rose.

Preso temporariamente, Lucas, até o momento, não tem advogado constituído. Ainda não há detalhes da investigação, nem do resultado pericial, mas o que se sabe é que Rafaela pode ter sofrido tortura. O pai dela, José Luiz Souza, foi até o local depois da retirada do corpo para limpar a residência e encontrou o dedo dela em um dos cômodos. “Por mais que minha filha seja muito forte, imagina o quanto esse crápula não fez minha filha sofrer. Eu não quis nem ver o corpo da minha filha, não iria conseguir ver”, lamenta Rose Mary.

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