x
Legenda Teste

Ajude a Ponte

Você sabe que a Ponte está do seu lado. Mas, além de coragem, a nossa luta pela igualdade social, racial e de gênero precisa de recursos para se manter. 

Com uma contribuição mensal ou anual, você ajuda a manter a Ponte de pé. Além disso, garante acesso aos bastidores da nossa redação e uma série de benefícios.

Ajude a Ponte

‘Vitória da nova censura’, diz autor de obra removida após pressão de PMs

19/04/18 por Milena Buarque, especial para a Ponte

Compartilhe este conteúdo:

Críticas de policiais militares levaram curadoria a censurar ilustração do livro ‘Castanha do Pará’, premiado com Jabuti, em exposição no Parque Shopping Belém

Imagem que acabou retirada de exposição no Parque Shopping Belém

Castanha é o nome de um menino que vive no Mercado Ver-o-Peso, tradicional cartão postal de Belém (PA), em busca de abrigo, alimentos e diversão. A ilustração de capa do livro premiado que conta a sua história, Castanha do Pará (2016), mostra-o saltando e tentando escapar do cassetete de um policial militar. E foi justamente a pedido de policiais militares que a imagem foi retirada de uma exposição do Parque Shopping Belém, no Pará.

“Fiquei sabendo da remoção por meio de pessoas que me mostraram uma imagem preta no lugar do meu desenho”, contou à Ponte Gidalti Moura Júnior, autor do livro, que no ano passado ganhou o prêmio Jabuti na categoria história em quadrinhos, incluída pela primeira vez na premiação. Segundo o autor, houve uma conversa sobre a situação com a administração do evento, mas a imagem acabou retirada antes de ser acordada alguma decisão.

Gidalti afirma que a pressão para censurar a imagem da exposição partiu de comentários no Facebook de policiais militares, que teriam se sentido ofendidos com a ilustração. “Eu vi pessoas de certa relevância dentro da Polícia Militar que se manifestaram nas redes sociais. Foi um grupo pequeno, mas um grupo um pouco radical em seus comentários e em suas opiniões, com um conhecimento muito superficial do contexto e do que se trata o projeto”, diz.

Páginas da história em quadrinhos “Castanha do Pará”

Para Gidalti, a retirada da obra foi claramente uma censura. “Para mim, representa a vitória de uma minoria que oprime, que quer impor suas percepções de mundo a partir do medo e da intimidação. Não entendo porque essas forças estão tendo êxito no contexto atual do país. É a vitória de um novo formato de censura que se configura por meio de ameaças”, afirma.

Na segunda-feira (16/4), quando ficou sabendo da remoção, o autor repudiou a atitude da curadoria do evento em sua conta no Instagram, afirmando que “a obra é ficcional, tem caráter lúdico e expõem situações rotineiras nas metrópoles brasileiras”.

View this post on Instagram

Sobre censura à capa de meu livro em exposição em Belém, gostaria de declarar total repúdio aos conceitos arbitrários que classificaram a imagem como uma ofensa à polícia militar. A retirada da obra do evento é um gesto que vai contra valores fundamentais que defendo, dentre estes, a liberdade de expressão. A obra é ficcional, tem caráter lúdico e expõem situações rotineiras nas metrópoles brasileiras. Quem a compreendeu como apologia ao crime e/ou a desmoralização da polícia militar, o faz de forma leviana e sem ao menos ler o livro "Castanha do Pará". A retirada da imagem da exposição é uma vitória parcial da ignorância, do medo e de forças antagônicas à liberdade.

A post shared by Gidalti Moura Jr. (@gidaltimoura) on

Já a coordenação do evento, também em nota, afirma que outra obra de Gidalti foi colocada na mostra e que a mudança ocorreu “diante de manifestações de frequentadores do shopping que se sentiram incomodados com a cena de violência, no espaço que é frequentado por crianças”. Já o Parque Shopping Belém se limitou a esclarecer que apenas cedeu o espaço em sistema de comodato para a montagem da exposição.

Primeiro trabalho do autor, que tem Belém como “musa inspiradora”, a comédia dramática Castanha do Pará levou três anos para ser finalizada, entre a elaboração do roteiro e a produção da arte, produzida em aquarela. A produção foi independente: para financiá-la, o autor recorreu a um financiamento coletivo.

Imagem preta no lugar do desenho de Gidalti Moura Júnior | Foto: Instagram

Já que Tamo junto até aqui…

Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

 

Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

Ajude

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo:

>