x
Legenda Teste

Ajude a Ponte

Você sabe que a Ponte está do seu lado. Mas, além de coragem, a nossa luta pela igualdade social, racial e de gênero precisa de recursos para se manter. 

Com uma contribuição mensal ou anual, você ajuda a manter a Ponte de pé. Além disso, garante acesso aos bastidores da nossa redação e uma série de benefícios.

Ajude a Ponte

Após quebrar pedras sob viaduto, padre Júlio leva flores a população de rua

06/02/21 por Jeniffer Mendonça

Compartilhe este conteúdo:

Sacerdote da Pastoral do Povo da Rua participou de ato em viaduto onde a Prefeitura de São Paulo havia colocado pedras para expulsar os moradores de rua e pediu uma ‘cidade mais humana’

Joseilton Santos recebe bênção de Padre Julio Lancellotti embaixo de viaduto Antonio Paiva Monteiro, na zona leste de São Paulo |Foto: João Damásio

Quatro dias após arrancar a marretadas algumas das pedras fincadas pela Prefeitura da cidade de São Paulo sob o Viaduto Antonio de Paiva Monteiro, na Avenida Salim Farah Maluf, zona leste da capital paulista, o padre Júlio Lancellotti, sacerdote da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, espalhou e cobriu o concreto cinza do local com diversas flores coloridas neste sábado (6/2).

O protesto, segundo o pároco, serviu para dar visibilidade à população de rua que, por falta de opções, acaba usando viadutos para se abrigar. “O que a gente pede é que a nossa cidade tenha uma arquitetura menos hostil e mais humana” declarou à Ponte. “Os pobres não moram em palácios como a elite que a gente tem”, criticou.

Manifestantes deixam flores embaixo do viaduto Antonio Paiva Monteiro, região da zona leste de São Paulo | Foto: João Damásio

A hostilidade a que Lancellotti se refere foi a ação da Prefeitura de Bruno Covas (PSDB) de colocar pedras paralelepípedos pontiagudos sob os viadutos para impedir que moradores de rua pudessem usar esses locais como abrigos. Na última terça-feira (2/2), os blocos começaram a ser retirados do viaduto por causa da repercussão negativa.

Leia também: ‘Eu serei sempre minoria’, diz padre Júlio sobre sua vocação em ajudar pobres e oprimidos

O governo municipal alegou que foi uma ação isolada de um funcionário, de acordo com o G1. Tratores enviados pelo poder municipal foram usados para destruir as pedras e o próprio padre também participou da ação, quebrando blocos de concreto com uma marreta.

Fotógrafos e jornalistas cobrem o protesto realizado na zona leste da cidade de São Paulo | Foto: João Damásio

“A gente não defende que pessoas em situação de rua morem embaixo dos viadutos, a gente pede que eles recebam moradia e abrigo”, explicou o sacerdote.

Leia também: Mentiras nas redes alimentam ódio a moradores de rua em São Paulo

Joseilton Santos, 29, é uma dessas pessoas que procuram um lugar para viver. Há dois anos morando nas ruas, conta que usa o viaduto para se proteger da chuva. “Desde que eu fiquei desempregado, eu fico por aqui. Trabalho com recicláveis, mas fui roubado nessa semana, levaram tudo. É muito difícil conseguir alguma oportunidade”, disse à Ponte. Ele voltou a dormir no viaduto após a retirada dos paralelepípedos.

Durante o ato, Joseilton parecia aturdido com a presença de jornalistas e fotógrafos ao seu redor, mas agradeceu ter recebido lanches e calçados do padre Júlio, que se comprometeu a levá-lo para um abrigo. A Pastoral do Povo da Rua também levou pães e bolos para os participantes do protesto, que espalharam flores no local.

Participante do ato coloca flores onde antes havia pedras | Foto: João Damásio

Selma da Silva, da Comissão de Justiça e Paz, ligada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), apontou que o ato “é uma forma de resistência, um grito de basta diante da falta absoluta de humanidade num cenário de ódio e violência contra grupos minoritários e a própria democracia”.

Já que Tamo junto até aqui…

Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

 

Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

Ajude

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo:

>