Colômbia: repressão policial a greve nacional registra desaparecimentos, abuso sexual e mortes

04/05/21 por Jessica Santos

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Atos realizados em todo o país contra reforma tributária chegaram a derrubar ministro da Fazenda colombiano. Organizações relatam centenas de casos de abuso policial e dezenas de mortos

Membros do Esmad (Escuadrón Móvil Antidisturbios), unidade de Choque da polícia colombiana | Foto: Divulgação / Policía Nacional de los colombianos

Desde 28 de abril, as principais cidades da Colômbia têm sido palco de protestos de diferentes setores da população. Segundo o jornal El País, estradas e avenidas foram bloqueadas em todo país e manifestantes foram às ruas contra a reforma tributária apresentada pelo presidente Ivan Duque ao Congresso Nacional. Além disso, os cerca de 5 milhões de manifestantes pedem a retirada de tramitação de um projeto de reforma da saúde e renda básica de pelo menos um salário-mínimo para todos os colombianos.  

Em diversas cidades, houve confrontos violentos entre a polícia e manifestantes, principalmente em Cali. De acordo com a BBC, a resposta do presidente Ivan Duque, do ministro da Defesa, Diego Molano e do Ministro do Interior, Daniel Palacios, foi a militarização do país. Foram enviados 700 policiais e 300 soldados a Calí para combater o que o Palacios afirmou ser “vandalismo organizado”. Já Molano afirmou em sua conta no Twitter que “a Colômbia enfrenta a ameaça terrorista de organizações criminais disfarçadas de vândalos, incitando cidades como Cali, Bogotá, Medellín, Pereira, Manizales e Pasto para desestabilizar”.

No domingo (2/5), o governo voltou atrás e pediu para que o Congresso Nacional não vote a proposta de reforma tributária. O Ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, pediu demissão nesta segunda-feira (3/5). No entanto, o Comitê Nacional de Greve afirmou, em entrevista coletiva, que manterá a mobilização e assegurou que seus objetivos centrais são garantir liberdades democráticas, garantias constitucionais a mobilização e ao protesto. Ainda na agenda, há a pauta da desmilitarização das cidades e o fim do Esmad (Esquadrão Móvil Antidisturbio), espécie de Tropa de Choque da polícia colombiana.

Violência policial

De acordo com a BBC, a Defensoria da União colombiana contabilizou 846 feridos e 17 mortos. Em seis dias de protesto, o país registrou 1.089 casos de abuso policial, 27 homicídios, 726 prisões arbitrárias e 12 pessoas que ficaram cegas por lesões oculares, afirmou a Fecode (Federação Nacional dos Profissionais da Educação). Organizações civis como a ONG Temblores contabilizou 92 vítimas de violência policial e 672 detidos durante as manifestações.

A repressão policial em protestos na Colômbia não é exclusividade desta greve. Apenas entre janeiro e março deste ano, foram 146 abusos e 13 assassinatos cometidos por policiais no país, de acordo com a BBC. Em setembro do ano passado, 13 pessoas foram mortas pela repressão policial em protestos na capital Bogotá. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu ao escritório do órgão na Colômbia para apurar qual é o numero de pessoas morte e feridas

O Esmad é apontado como o grande responsável por esses abusos. Criado em 1999, sua missão é controlar “os distúrbios, multidões, bloqueios e acompanhar os desalojamentos de espaço público e privado, que ocorrem em áreas urbanas ou rurais do território nacional, com a eventual materialização de atos terroristas e criminosos, para restaurar o exercício dos direitos e liberdades públicas”.

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Em Barranquilla, há imagens de policiais atuando com coletes vestidos do avesso, o que impede sua identificação durante ações violentas. Há ainda relatos de pessoas desaparecidas, incluindo menores de idade, segundo o portal Colombia Informa. O comitê organizador da greve convocou novos atos para o dia 05/5 (quarta-feira).

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