‘É triste saber que sua irmã foi morta pelo ódio’, diz Anielle Franco

12/03/19 por Leonardo Coelho e Maria Teresa Cruz

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Anielle, irmã da vereadora Marielle Franco, ao lado do pai e da viúva de Anderson Gomes comemoraram a prisão dos ex-PMs, mas cobraram que a investigação aponte o mandante do crime

Marielle Franco e a irmã, Anielle | Foto: reprodução Instagram

Familiares da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes comemoraram a identificação dos executores dos crimes e a denúncia do Ministério Público do RJ, nesta terça-feira (12/3), na sede do órgão durante coletiva de imprensa. Os ex-PMs Elcio Vieira de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos e denunciados pelo duplo homicídio qualificado. Contudo, a cobrança ainda se mantém: quem afinal foi o mandante do crime?

“É óbvio que é importante saber quem mandou matar. Mas quero ressaltar que hoje foi um grande fato. A gente espera que hoje seja um grande passo dado e que a gente consiga descobrir se há mandante ou se não há”, declarou Anielle Franco, irmã da vereadora. Muito emocionada, disse que, ainda que os resultados da investigação estejam aparecendo, a proximidade de um ano da morte da irmã causa uma dor ainda muito latente. “Hoje há um vazio muito grande. Saber que sua irmã pode ter sido morta por um crime de ódio, pelo que ela fazia, pelo desejo de uma vida diferente”, e interrompe a fala, aos prantos.

Anielle se refere à fala da promotoria contida na denúncia, de que o atirador teria sido motivado por ódio para realizar o crime. O deputado Marcelo Freixo, contudo, refuta a tese, segundo reportagem do UOL.

Agatha Reis, viúva de Anderson, afirmou que o anúncio e prisão dos executores deram uma esperança de uma solução para o caso e lembrou com carinho do companheiro. “O Anderson foi a melhor pessoa q eu vi na vida. Você se apaixonava até pelos defeitos dele. Era o tipo de pessoa que saia de casa pra ajudar qualquer um. Levava o trabalho muito a sério. Ele ficou desempregado antes do filho nascer com má formação e ele sempre ficou lá comigo. Sua fé era inabalável e ainda não sei como sei como vou transmitir para o Arthur o tamanho do pai dele”, disse.

Agatha e Anderson | Foto: arquivo pessoal

Antonio Neto, pai de Marielle, elogiou em sua fala o trabalho de investigação e condução do caso feito pelo Ministério Público. “Eu quero fazer um agradecimento ao apoio de todos, ao trabalho dessas promotoras. Hoje foi dado um grande passo com a prisão desses dois indivíduos. Eu não esperava que isso acontecesse, mas aconteceu. Eu estava errado. O próximo passo será a condenação dos dois, porque os indivíduos que agem covardemente, em tocaia, sem chance de defesa, eles não podem fazer parte da sociedade”, afirmou. Perpetuar e fazer o crime da maneira que eles fizeram, contra uma pessoa que defendia minorias é mais grave ainda. Eu fiquei órfão como pai. A mãe dela, por sua vez, chora todos os dias. Nem sei como ela ainda tem lágrimas pra verter”, disse, emocionado.

Se eles quiseram calar a Marielle, eles conseguiram. Mas não conseguiram calar nós, que ficamos aqui defendendo o legado de Marielle para evitar que outras pessoas sofram o que minha filha e o Anderson sofreram que foi a perda da vida. E ela perdeu a vida defendendo justamente os direitos humanos”, finalizou Antonio.

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