Familiares de adolescente morto por PMs na Maré (RJ) fazem ato por justiça

“Policiais não podem entrar dentro de uma comunidade atirando, arrombando casas, fazendo covardia com moradores e até com os menores de idade. Não é porque mora na comunidade que é bandido”, protestou Dilma Xavier, mãe de Davison Lucas Galdino Silva

Ato por justiça pela morte de Davison Lucas. Foto: Luiza Sansão/Ponte Jornalismo

Familiares de Davison Lucas Galdino Silva, de 15 anos, assassinado por policiais na comunidade Parque União, no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, realizaram na manhã desta quinta-feira (26/1) um ato em memória do adolescente na mesma favela onde, em 19 de janeiro, ele foi alvejado.

Segundo a mãe do adolescente, Dilma Xavier, o objetivo da manifestação foi “pedir paz para os moradores” da comunidade e bradar por justiça. “Não tem explicação o que eu estou sentindo hoje. Só quem passa por essa dor é que sabe. É muito difícil, fica um vazio dentro do peito, que a gente fica tentando recuperar e não tem como. Como foi com o meu filho, amanhã pode ser com o filho de outras pessoas”, disse.

Além de Davison Lucas, Dilma tem uma filha de 12 e um filho de 21 anos, que vivem com ela e o marido na Baixada Fluminense. Até 2016, a família morava no Parque União, onde o adolescente passava férias, com a avó, tias e primos, quando foi morto. “Eu penso nas outras crianças que estão crescendo e, infelizmente, moram nas comunidades porque não têm onde morar. Porque se pudesse morar num lugar melhor, moraria”, lamentou Dilma.

“Policiais não podem entrar dentro de uma comunidade atirando, arrombando casas, fazendo covardia com moradores e até com os menores de idade. Não é porque mora na comunidade que é bandido”, completou a mãe, que se reuniu, após o ato, com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Enquanto o protesto acontecia, dezenas de policiais militares realizavam uma operação na comunidade, circulando com fuzis próximo dos familiares de Davison Lucas, que contaram com o apoio de integrantes da ONG Redes de Desenvolvimento da Maré e de outras mães de vítimas. “A gente que passou pela mesma dor, de ter um filho arrancado do nosso convívio, como nós tivemos, sabe como é importante, para uma mãe que acaba de perder o filho, ter o apoio de outras mães que entendem a dor dela”, disse Ana Paula de Oliveira, mãe de Johnatha de Oliveira Lima, morto na favela de Manguinhos com um tiro nas costas, disparado por um policial da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade em 2014.

Também participaram do ato Fátima Pinho, que teve o filho, Paulo Roberto Pinho, espancado até a morte por PMs também da UPP de Manguinhos, em 2013, e Irone Santiago, cujo filho, Vitor Santiago, ficou paraplégico após o carro em que estava ser fuzilado por militares do Exército, na Maré, em 2015.

“O desejo de todas nós é que não haja mais execuções, que nenhuma outra mãe passe por essa dor, mas, infelizmente, no momento em que estamos aqui fazendo o ato, soubemos que um jovem foi baleado. A gente quer ter o direito de viver”, encerrou Ana Paula.

Comentários

Comentários

Enviar um comentário

Contribua com a Ponte

Clique para doar

feito por F E R A