Jovem é preso pela PM de SP ao estudar para TCC

Felipe Paciullo Ribeiro pesquisava um livro sobre vinil quando foi detido em frente ao Centro Cultural São Paulo, no domingo (4). Conversas de WhatsApp comprovam tese

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Felipe Paciullo Ribeiro. Foto: Arquivo pessoal


Por Arthur Stabile e Luís Adorno

Um dos 26 jovens detidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo durante o protesto contra o governo de Michel Temer (PMDB) e a favor de novas eleições no domingo, (4), estudava para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) quando detido pelos policiais. Felipe Paciullo Ribeiro é acusado de formação de quadrilha.

A prisão do jovem aconteceu por volta de 18h no CCSP (Centro Cultural São Paulo). Conforme apontam conversas de Whatsapp, Paciullo estava no local para realizar uma pesquisa de faculdade. No local, 21 pessoas foram presas.

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“Estamos fazendo um livro-reportagem sobre vinil, somos graduandos do último semestre de jornalismo. O Felipe nunca colou em manifestações, não é o perfil dele. Ele colou no CCSP para pegar um livro que não pode sair de lá e que tem a ver com nosso TCC. No print que compartilhei tem a prova nossa última mensagem”, explicou à Ponte Jornalismo Giacomo Vicenzo, 25 anos, amigo de Felipe e integrante do grupo de cinco pessoas do TCC feito pelo estudante detido. Ambos estudam jornalismo na Universidade São Judas Tadeu, na unidade Mooca, situada na zona leste de São Paulo.

No domingo, a mãe de Felipe, Maria Aparecida, de 65 anos, relatou o caso do jovem à Ponte. “Meu filho não é uma pessoa interagida com política, não sabe de nada. Nunca foi a uma passeata. Ele foi preso apenas porque estava passando por ali”, sustenta.

Os pais e um tio do estudante estão no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), local para onde os detidos foram levados. Não há mais informações sobre a situação de Felipe.

O caso

No decorrer da manifestação contra o governo de Michel Temer, a PM paulista prendeu e autuou 26 jovens por associação criminosa e corrupção de menores. A argumentação dos agentes é que os acusados portavam máscaras conta gás, pedras, lenços, sprays, estilingues e uma barra de ferro, material considerado suspeito pela corporação.

Todos foram levados ao Deic, onde ficaram por oito horas incomunicáveis. Neste período, não tiveram acesso nem sequer a advogados.

Outro lado

A reportagem da Ponte Jornalismo entrou em contato com a PM e com a Secretaria da Segurança Pública pedindo para que ambos se posicionassem sobre o assunto. Até o momento, nenhum dos dois responderam a reportagem.

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