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Justiça Militar prende dois PMs pela morte de jovem no seu aniversário

03/09/20 por Arthur Stabile e Paulo Eduardo Dias

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Guilherme Giacomelli e Renan Branco atuaram em ação com Rogério Ferreira da Silva Júnior, morto com um tiro nas costas; Governo confirma prisão em presídio militar

Dona Rose, mãe de Rogério, em protesto cobrando Justiça pelo filho | Foto: Arthur Stabile/Ponte

[Reportagem em construção e receberá atualizações nas próximas horas]

A Justiça Militar de São Paulo determinou a prisão dos PMs Renan Conceição Fernandes Branco e Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli. Ambos atuaram em perseguição com a morte de Rogério Ferreira da Silva Júnior, em 9 de agosto, no Parque Bristol, zona sul da cidade de São Paulo.

Rogério foi atingido por um tiro nas costas enquanto tentava fugir dos policiais por não usar capacete. o jovem negro não resistiu aos ferimentos e morreu exatamente na data em que comemorava 19 anos. O governo de São Paulo confirma que os policiais foram presos nesta quinta-feira (3/9), conforme decisão judicial. Eles respondem no Presídio Militar Romão Gomes, zona norte da capital paulista.

A determinação da prisão partiu do juiz militar Ronaldo João Roth. Segundo ele, a versão aparesentada pelos policiais apresentava falhas comprovadas pelos canais de comunicação da PM. A prisão pretende evitar interferências nas investigações.

Rogério foi morto durante ação da PM no dia em que completou 19 anos | Foto: Arquivo pessoal

Segundo os policiais, o homem fez menção de sacar uma arma durante a perseguição ao colocar a mão na cintura e agiram em legítima defesa. O soldado Giacomelli, então, deu um único disparo, que atingiu Rogério nas costas e o matou.

O delegado Ricardo Travassos da Silva, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), levou apenas seis horas para concluir que a versão dos PMs fazia sentido, mesmo sabendo que não havia nenhuma arma com Rogério.

No dia seguinte ao crime, o secretário da Segurança Pública de São Paulo na gestão de João Doria (PSDB), o general João Camilo Pires de Campos mentiu, ao declarar que “tudo indicava” que a moto seria roubada, e ainda elogiou a atuação dos PMs. No entanto, Rogério dirigia uma moto emprestada por um amigo, que ficou com a chave de seu carro.

A comunicação inicial repassada pelos policiais é que eles teriam se deparado com um acidente de trânsito com queda de motoriclista e não uma perseguição com pessoa baleada. Depois, citaram que houve perseguição e que Rogério estaria armado.

Roth elenca uma série de crimes supostamente cometidos pelos PMs Branco e Giacomelli, como falsa comunicação de crime, lesão corporal, retardamento de socorro, abuso de autoridade, homicídio e fraude processual.

O juiz estranhou o fato de Giacomelli dizer que o homem estava armado, mas não ter adotado procedimentos de segurança quando Rogério caiu após ser baleado, conforme imagens de câmera de segurança.

“Além disso, verifica-se que não foram realizados os procedimentos iniciais de pronto atendimento à vítima, que permaneceu na mesma posição da queda até ser socorrida por populares, cerca de 30 minutos após”, prossegue o magistrado.

A demora, defende Roth, pode ter contribuído para a morte do jovem negro. Em sua decisão, ele explica que a comunicação de acidente de trânsito foi corrigida somente oito minutos depois do primeiro contato pelo Copom (Centro de Operações Policiais Militares).

Roth determinou a prisão preventiva (sem prazo limite) dos PMs Renan Conceição Fernandes Branco e Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli para “garantir a ordem pública”, pois ” a liberdade dos investigados poderá causar grande dano à investigação, uma vez que eles poderão colocar obstáculos à instrução crimina”.

A família de Rogério comemora a prisão dos dois policiais. “Estou um pouco aliviada em saber que a Justiça está sendo feita. É apenas o começo”, afirma Roseane da Silva Ribeiro, mãe de Rogério.

A morte do jovem negro gerou comoção. Em um primeiro protesto, policiais militares agrediram manifestantes que cobravam justiça pelo assassinato. Uma semana depois, a família realizou uma missa de sétimo dia para relembrar a memória do rapaz.

Segundo Rosa, a família não recebeu nenhuma ameaça nos protestos. “Vamos continuar na luta que eles vão ter o castigo que merecem e pagar pelo erro que cometeram”, prossegue.

A Ponte questionou a SSP sobre a decisão judicial envolvendo os soldados Branco e Giacomelli, que confirmou a prisão dos PMs. “O IPM (Inquérito Policial Militar) que apura a morte de Rogério Ferreira da Silva Júnior continua em andamento. Os policiais já estão no Presídio Militar Romão Gomes. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa também investiga o caso.” A reportagem ainda pediu à secretaria entrevista com os PMs, mas não obteve resposta.

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