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PMs matam jovem no aniversário e vídeo revela ‘possível execução’

09/08/20 por Caê Vasconcelos

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Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19 anos, foi morto após parar para dois policiais, no Parque Bristol, na zona sul da cidade de SP

Rogério Ferreira da Silva Júnior completou 19 anos neste domingo (9/8), o último da sua vida. Segundo familiares, ele havia saído de sua casa, no Parque Bristol, na zona sul da cidade de São Paulo, dirigindo sua motocicleta, para encontrar um grupo de amigos com quem pretendia comemorar. Na Avenida dos Pedrosos, às 17h50, foi abordado por policiais militares, da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) do 46º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, e morto com um tiro.

Atualização em 11/8: PM agride manifestantes que cobravam justiça após morte de jovem negro

Um vídeo obtido pela reportagem mostra o que seria o momento da morte de Rogério. Três motocicletas aparecem nas imagens do circuito de segurança, duas com PMs e uma com Rogério. O jovem diminui a velocidade da moto até parar. No momento seguinte um dos policiais atira em Rogério, que cai.

O caso é acompanhado pela Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, articulação de movimentos e pessoas que luta contra a violência de Estado nas periferias, que afirma ter cobrado providências do Ministério Público Estadual.

Rogério foi morto durante ação da PM no dia em que completou 19 anos | Foto: Arquivo pessoal

A versão dos policiais Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli e Renan Conceição Fernandes Branco é de que patrulhavam a região do Parque Bristol quando viram Rogério em sua moto e ele fugiu.

Durante a perseguição, contam os PMs à Polícia Civil, Rogério teria feito “menção de colocar a mão na cintura como se estivesse armado”. O PM Giacomelli, então, decidiu atirar. Segundo ele, por entender que estava “diante de uma iminente agressão”, e deu um único tiro.

Os policiais explicam que, por estar em velocidade na moto, Rogério andou por mais 50 metros até conseguir parar o veículo e, por conta do disparo que o atingiu, caiu na calçada. Os PMs dizem não ter atirado no homem no momento em que ele para a moto, como registrado em vídeo.

A Ponte mostrou o vídeo para o advogado Ariel Castro, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), que identificou ali sinais de uma possível execução. “Aparentemente, o rapaz estava parando a moto, diante da perseguição policial, quando é alvejado. Em princípio, a vítima não esboçou nenhuma reação. Pelas imagens, teria ocorrido uma possível execução. É um homicídio, que precisa ser investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM para que todas as circunstâncias da ação sejam esclarecidas”, aponta.

Familiares de Rogério afirmam que ele não estava armado e foi assassinado pelos policiais. A mãe dele, Roseane da Silva Ribeiro, afirma que policiais não a deixaram chegar perto do filho. “Eu estava em casa quando um amigo dele foi avisar, foi perto de casa. Quando eu cheguei lá, ele já estava caído no chão e não queriam deixar a gente socorrer.” Seu filho, segundo ela, trabalhava em uma empresa de logística.

A Ponte procurou as assessorias da Secretaria da Segurança Pública, administrada pelo coronel João Camilo Pires de Campos nesta gestão João Doria (PSDB). Em nota, a pasta explicou que “Todas as circunstâncias relacionadas aos fatos estão sendo apuradas pela Polícia Militar, por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), e pelo DHPP, onde o caso está sendo registrado. A Corregedoria da PM também foi acionada”. A reportagem também solicitou explicações à Polícia Militar e aguarda posicionamento. Além do DHPP, o caso também está sendo registrado no 26º DP (Sacomã).

Atualização às 9h31 de segunda-feira (10/8) para incluir posicionamento da SSP.

Atualização às 10h16 de segunda-feira (10/8) para adicionar a versão apresentada pelos PMs à Polícia Civil.

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