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Laysa resgata identidade em novo álbum e lembra ataque virtual: ‘fui vítima do racismo estrutural’

20/08/20 por Caê Vasconcelos

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Rapper fala sobre Ghetto Woman, que tem referências de reggae, dancehall e hip hop, e lembra cancelamento virtual que sofreu em 2017

Aos 28 anos, Laysa Moretti, ou Laysa, decidiu se reconectar com sua própria identidade dentro do rap para chegar no resultado ideal para o seu segundo álbum. O primeiro single, “Introducción”, do novo álbum, intitulado “Ghetto Woman”, mesmo nome do seu primeiro trabalho de sucesso, de 2016, será lançado em 21 agosto em todas as plataformas digitais.

Cria de Osasco, cidade da Grande São Paulo, Laysa demorou para aceitar o “chamado” para a música, como ela define. Conheceu o punk rock e o hip hop por outras pessoas aos 14 anos, mas demorou 10 para gravar seu primeiro som.

Além do rap, a artista independente tem outra paixão, ainda mais antiga: sua marca de roupas. Antes Lay Moretti, agora Moretti Eco. Sua primeira coleção foi lançada em 2013. “Eu trabalhava em shopping e a minha avó era costureira, então eu já vim com essa referência de ter a costura dentro da minha casa diariamente”.

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Foi na pandemia que mudou o conceito do seu trabalho com a moda. “Eu fiquei pensando que todo mundo está passando meses com os kits dentro dos armários”, conta. Com isso, a Moretti Eco passou a vender produtos como chá, máscaras de argila, nas linhas de skincare (cuidados com a pele) e bodycare (cuidados com o corpo).

A moda e a música não estão desassociadas na vida de Laysa, pelo contrário, se complementam. Com a nova fase da sua marca, também vem a sua nova fase no rap. O “Ghetto Woman”, explica, é um mergulho dentro do seu primeiro disco, o “129129”, de 2016. “O ‘129129’ tinha um peso, tanto no discurso quanto no estilo musical, muito diferente. É uma obra que causou mudança do feminino dentro do rap”, aponta Laysa.

Laysa lança seu segundo álbum “Ghetto Woman” em agosto de 2020 | Foto: Divulgação

O disco terá a combinação de três estilos: reggae, dancehall e hip hop, e será lançado pelo KL Música, selo do DJ KL Jay, do Racionais MC’s. “No meu novo álbum, decidi cantar para todas as pessoas, mas saudando todas as mulheres sempre. É como ter uma missão e querer expandir a obra e a música”.

Entre o primeiro e o segundo disco, Laysa conta que tentou fazer novas experimentações. Nesse período, lançou três EPs, cantando e com outras propostas, mas para “espulgar o que eu tava sentindo”.

Mas, uma coisa nunca mudou: “eram trabalhos muito políticos, sobre direitos civis, sobre a liberdade dos homens, das mulheres e de todas as pessoas. O meu lugar é o de uma mulher negra, mas é como se eu estivesse dizendo por outras pessoas, como representar algo que vai além”.

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Com referências de Dina Di, Negri Li e Flora Matos, a rapper colecionou parcerias ao longo dos anos dentro do rap. Além de estar no selo de KL Jay, tem parcerias musicais com Linn da Quebrada, na versão remix do primeiro álbum da cantora, o “Pajubá”, com os rappers Don L, Coruja MC, Lurdez da Luz e a DJ Apuke. Laysa também tem uma parceria com o selo internacional Bebey Recods, do artista Theopilus London.

Em 2017, Laysa passou pelo pior momento de sua vida, pessoal e profissional. A rapper foi acusada de roubo e estupro por uma mulher branca, que divulgou um texto nas redes sociais, causando o que Laysa chama de “linchamento virtual”. Até bem pouco tempo ela não estava pronta para falar sobre esse episódio longo e traumático.

“Eu precisei de um tempo para maturar isso em mim. A gente tá falando de uma mulher branca com falsas acusações em cima de mulheres negras. O intuito dela era me atacar e puxar para que as pessoas fossem racistas”, confessa. “Em 2017, a gente não tinha essa pauta do cancelamento como temos agora, mas eu fui a primeira rapper, mulher negra, a ser linchada virtualmente”.

Agora, três anos depois, ela consegue dar um nome para o que sofreu: racismo estrutural. “Se a gente volta um pouco na história do povo preto temos os linchamentos públicos. Por isso eu decidi falar sobre isso, decidi assumir essa narrativa”.

“Não quero mudar a opinião de quem é racista. Uma pessoa negra não tem perdão institucional. É assim que o racismo estrutural funciona, mas eu entendi que não podia mais deixar isso afetar nenhum dia de trabalho”, pontua. 

Atualização às 14h do dia 21 de agosto para inclusão do link para o novo single

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