Livro “Mães em Luta – Dez anos dos Crimes de Maio de 2006” é lançado em SP

3 minutos atrás

Sala dos estudantes da Faculdade de Direito da USP durante o lançamento do livro - Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Livro foi lançado dentro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo na noite desta quinta-feira (17/11)

Sala dos estudantes da Faculdade de Direito da USP durante o lançamento do livro - Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo
Sala dos estudantes da Faculdade de Direito da USP durante o lançamento do livro – Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

O livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006”, organizado pelo jornalista André Caramante da Ponte Jornalismo e com prefácio assinado por Eliane Brum, foi lançado na noite da última quinta-feira (17/11), em um evento na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo. A obra reúne 15 perfis de parentes de vítimas da violência policial no Brasil: 13 mães, uma irmã e uma tia de jovens assassinados.

Os autores dos perfis são os repórteres da Ponte: Luís Adorno, Luiza Sansão, Arthur Stabile, Maria Teresa Cruz, Fausto Salvadori Filho, Kaique Dalapola, Juca Guimarães, Bruno Paes Manso e Tatiana Merlino. O livro foi ilustrado pelo cartunista Junião, também da Ponte. Ainda houve a colaboração de Érica Saboya e Karla Dunder. Capa, projeto gráfico e diagração são de Silvana Martins.

Capa do livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006, parceria entre Mães de Maio e Ponte Jornalismo – Imagem: Reprodução
Capa do livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006, parceria entre Mães de Maio e Ponte Jornalismo – Imagem: Reprodução

A publicação é uma parceria da Ponte Jornalismo com o Movimento Independente Mães de Maio. O livro é correalizado pelas Mães de Maio junto à Associação Capão Cidadão em copatrocínio com a Coordenação de Direito à Memória e à Verdade e a Coordenação de Políticas para Juventude de São Paulo da SMDHC – Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania e a área de Cidadania Cultural SP – SMC da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

O fio condutor de todas as histórias é a brutalidade do Estado e a dor da perda. Mulheres que transformaram o sofrimento em força para denunciar os crimes cometidos pelo Estado contra os jovens das periferias do Brasil. Dados reunidos por André Caramante na Introdução do livro impressionam e dão a dimensão desse problema:

“Os integrantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo mataram 12.022 pessoas nos últimos 21 anos (julho de 1995 a julho de 2016) – o equivalente à população de uma cidade paulista como Cananéia, no litoral sul. Segundo a Seade (Fundação Estadual de Análise de Dados), órgão estatístico do governo de SP, a cidade tinha 12.236 habitantes em 2016.

Após o lançamento, houve um cortejo das Mães até a frente da Secretaria da Segurança Pública - Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo
Após o lançamento, houve um cortejo das Mães até a frente da Secretaria da Segurança Pública – Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Levantamento da reportagem da Ponte Jornalismo revela que, em média, 47,5 pessoas foram mortas por PMs a cada mês no Estado, num cenário em que os policiais também são vítimas – cinco foram assassinados por mês no período.”

“Mães em Luta: Dez anos dos Crimes de Maio de 2006” humaniza essas estatísticas. A frieza dos números dá lugar ao relato de mulheres que tiveram suas vidas profundamente abaladas, como a de Débora Maria da Silva, sua história se confunde com a criação do Movimento Mãe de Maio.

Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo
Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Maio de 2006, o mais sangrento da história democrática de São Paulo. Mais de 500 pessoas foram assassinadas em 30 dias, em decorrência das respostas dos agentes das forças de segurança aos ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), entre 59 agentes do Estado e 505 civis. Rogério, seu filho, foi uma das vítimas. Foram dias prostrada em uma cama de hospital, em choque.

– Quando meu filho me puxou da cama, ele disse: “Mãe, luta pelos que estão vivos. Eu não volto mais. Aqui não é o seu lugar, não é para a senhora ficar aí”. Foi quando comecei a ir atrás das outras mães, relembra Débora.

Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo
Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

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