Lucas, 14, está morto. Ele sumiu após abordagem da PM, diz família

28/11/19 por Paloma Vasconcelos e Paulo Eduardo Dias

Compartilhe este conteúdo:

Secretaria da Segurança informa que exame de DNA confirmou que corpo achado em parque de Santo André (SP) é do jovem, sumido há 16 dias

Lucas despareceu na madrugada da quarta-feira (13/11) | Foto: Paulo Eduardo Dias/Ponte Jornalismo

Exame de DNA confirmou que o corpo encontrado no Parque Natural Municipal Pedroso, em Santo André, na Grande São Paulo, é de Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14. O jovem estava desaparecido desde o dia 13 de novembro e o corpo foi encontrado dois dias depois. A informação foi confirmada à Ponte por Maria Zaidan, advogada da família.

O exame para comprovar que o corpo era do menino levou 13 dias para ficar pronto, mas a confirmação chegou nesta quinta-feira (28/11). No dia em que o corpo foi encontrado, parte da família de Lucas o reconhecia, enquanto outra parte, não. A dúvida foi desfeita com o DNA.

A princípio, o delegado Fabio Goulart informou que a altura do corpo encontrado no lago do parque tinha entre 1,80 e abaixo de 1,90 e familiares contaram que Lucas tem 1,75. Segundo apuração da Ponte, o IML (Instituto Médico Legal) de Santo André já tinha confirmado no dia 27 de novembro que a altura correta como sendo de 1,75. O menino não tem RG, o que impossibilitou, por exemplo, que as digitais fossem confrontadas.

Lucas sumiu nas primeiras horas da madrugada do dia 13 de novembro na Favela do Amor, na Vila Luzita, um bairro pobre de Santo André. A mãe, Maria Marques Martins dos Santos, 38 anos, afirma que viu uma viatura deixando o local depois de ouvir Lucas falando “eu moro aqui”. A comunidade realizou pelo menos quatro atos exigindo respostas para o sumiço do menino.

Uma nova perícia será feita no corpo do adolescente para apurar se há marcas de violência. Isso ainda não foi possível pois o corpo estava inchado e impossibilitava a identificação destas lesões. O procedimento foi aprovado pela advogada da família.

A cúpula da PM afastou dois PMs do trabalho nas ruas, sem redução de salário, por suspeita de envolvimento no caso. Segundo o corregedor da PM de São Paulo, coronel Marcelino Fernandes, a viatura apreendida com os policiais apresentava marcas de sangue. “Aguardar o DNA do sangue na VTR (viatura). Se for do menino Lucas, os dois serão indiciados”, resumiu Fernandes.

O advogado Ariel de Castro, integrante do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), explica que a delegacia de homicídios de Santo André confirmou a ele que desde o dia 15 de novembro foram afastados “os PMs , Lucas Lima Bispo dos Santos e Rodrigo Matos Viana” por suposta participação na ocorrência de desaparecimento de Lucas.

Segundo o ouvidor da Polícia de São Paulo, Benedito Mariano, a confirmação muda a investigação de patamar. “Agora é apurar homicídio. Vou solicitar amanhã (29/11) cópia do exame de DNA e cópia do exame de necrópsia para conhecer a causa da morte do garoto. Também pedirei o laudo do sangue encontrado em uma viatura da PM”, explica, dizendo que segue em contrato com a Corregedoria da PM e a Policia Civil de Santo André, responsável por investigar o caso.

No dia 19 de novembro, Maria foi presa ao chegar para prestar depoimento no SHPP (Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Santo André. A intenção era ajudar a descobrir o paradeiro do garoto, mas a Polícia Civil do Estado de São Paulo a prendeu logo em seguida. O motivo da prisão foi um crime de tráfico ocorrido em 2012.

A família de Lucas segue na Favela do Amor, em Santo André, após a notícia sobre o reconhecimento. “Vamos lutar e cobrar a Justiça. E que a mãe dele possa ser liberada para assistir ao sepultamento, já que não devolveram ele vivo”, disse Cícera dos Santos, tia de Lucas. De acordo com outra tia do jovem, Isabel Daniela dos Santos, a preocupação de momento é garantir o enterro e que todos estejam presentes, inclusive a mãe. “Ela tem o direito de ver o filho. O nosso medo é de que não a deixem sair para o velório”, afirmou.

De acordo com o advogado Helton Fesan, a juíza Teresa Cristina Cabral Santana, da 2ª Vara Criminal de Santo André, liberou a saída da mãe de Lucas, Maria Marques, para acompanhar o funeral do jovem.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), confirmou em nota enviada às 19h08 a informação da família de que o corpo encontrado no último dia 15, em Santo André, é do adolescente de 14 anos que estava desaparecido. “O exame de DNA elaborado pela Polícia Científica foi concluído nesta quinta-feira (28/11) e encaminhado às autoridades. Todas as circunstâncias relativas aos fatos seguem em apuração pela Polícia Civil, assim como o IPM instaurado pela Polícia Militar”, assegura a pasta.

Questionada pela Ponte sobre o exame de DNA, a PM, liderada pelo comandante coronel Marcelo Vieira Salles, explicou que “todos os fatos e possibilidades estão sob investigação conforme inquérito policial”. “A Polícia Militar esclarece que, a partir da notícia sobre o desaparecimento do adolescente Lucas Santos, de 14 anos, abriu investigação, em conjunto com a Polícia Civil, para apurar o possível envolvimento de policiais, conforme denúncia de pessoas da comunidade, no Jardim Santa Cristina”, limitou-se a informar a corporação.

Atualização às 18h11 de quinta-feira (28/11) para incluir posicionamento da PM.
Atualização às 18h57 de quinta-feira (28/11) para incluir a fala dos familiares de Lucas.
Atualização às 19h31 de quinta-feira (28/11) para incluir os apontamentos do ouvidor da Polícia.
Atualização às 20h06 de quinta-feira (28/11) para dar informação do advogado Fesan.
Atualização às 20h34 de quinta-feira (28/11) para dar incluir nota da SSP.

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo: