Pena de líder do PCC aumentou quase 10 vezes quando ele já estava preso

    Preso por roubar carros e bancos, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, acumula pena hoje de 330 anos de reclusão

    Marcola também participou de um dos conhecidos assaltos cinematográficos planejados pela facção no início dos anos 2000 | Foto: reprodução

    A pena de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo como líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), aumentou quase dez vezes quando ele já estava atrás das grades, sob custódia do Estado.

    Ele foi preso por roubos a carros no final da adolescência, em 1986, e por assaltos a bancos e transportadoras de valores nos anos 1990. Antes de ser apontado como líder do PCC, em 2003, Marcola estava condenado a 39 anos de prisão. A pena dele hoje é de 330 anos.

    Em maio de 2006, o PCC promoveu ataques que mataram 59 agentes públicos, a maioria policiais militares. A resposta do braço armado do Estado foi a morte de mais de 505 civis. O episódio ficou conhecido como Crimes de Maio. Marcola foi acusado de ser o mandante da série de ataques, como mostram os documentos abaixo.

    Em 11 de setembro de 2009, a Justiça o condenou a 29 anos pelo assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, executado a tiros em 14 de março de 2003. Até hoje Marcola nega ter sido o mandante da morte do magistrado. 

    Em 6 de março de 2013, Marcola foi condenado a 158 anos de prisão pelas mortes de 10 presos, ocorridas nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2001 na Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo.

    As mortes em série aconteceram na véspera da primeira megarrebelião protagonizada pelo PCC, em protesto contra a reinternação de alguns de seus líderes na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba.

    Na época da matança, Marcola cumpria pena na vizinha Penitenciária do Estado e disse ser inocente, alegando que não estava no presídio onde ocorreram as mortes e que, por isso, não podia ter envolvimento nos crimes.

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    No dia 11 de fevereiro de 2014, o homem apontado como número 1 do PCC foi condenado a 61 anos de prisão pelas mortes de agentes de segurança, executados a tiros durante os ataques de maio de 2006.

    Os atentados foram em protesto contra o isolamento de 765 presos do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de SP. Ao mesmo tempo detentos se amotinaram em 74 presídios. Foi a maior rebelião da história do País. 

    Em 21 de fevereiro de 2018, quando ainda cumpria pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, Marcola recebeu outro duro golpe da Justiça: uma condenação a mais 30 anos de reclusão.

    Dessa vez, foi acusado de comandar a criação da célula “sintonia dos gravatas”, o núcleo jurídico do PCC, que contava com a participação de 40 advogados.  

    Segundo o Ministério Público Estadual, os advogados, presos durante a deflagração da Operação Ethos, em novembro de 2015, eram “pombos-correio” e levavam e traziam recados de interesse dos líderes da facção.

    Marcola já passou por 26 presídios em todo o Brasil, sete deles em outros estados longe de São Paulo. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília.

    Em 15 de fevereiro do ano passado, a Justiça de São Paulo transferiu Marcola e outros 14 principais líderes do Primeiro Comando da Capital para presídios federais.

    O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da 5ª Vara das Execuções da Capital,  determinou nos últimos dias a prorrogação por mais um ano do prazo de internação de 11 desses 15 presos para unidades federais.

    O prazo de internação pelo período de um ano termina na próxima sexta-feira (07/02). Um dos quatro presos que ainda não tiveram o pedido analisado pela Justiça é justamente Marcola.

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