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PM mascarado que espalha terror pelo WhatsApp atua na zona sul de São Paulo

19/07/16 por Luís Adorno e André Caramante

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Imagens de PM travestido como o palhaço Coringa ameaçando jovem negro foram feitas na rua Isabel de Oliveira, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo. Reportagem localizou rua na manhã desta terça-feira (19/07)

Caramante

Travestido como o palhaço Coringa, PM ameaça jovem negro, que pede clemência

O policial militar que aterrorizou um jovem negro ao ameaça-lo de morte com um machado e pistola .40 da corporação, travestido com uma máscara do palhaço Coringa, atua na zona sul de São Paulo, mais especificamente no Jardim Ângela.

Levantamento feito pela reportagem revela que as duas fotografias nas quais o PM Coringa ameaça o jovem, distribuídas em grupos do WhatsApp restritos a policiais militares, foram feitas na rua Isabel de Oliveira, uma travessa da Estrada do M´Boi Mirim, a principal via de acesso aos diversos micro bairros que formam a região do Jardim Ângela.

As ameaças do PM Coringa contra o jovem foram reveladas no dia 14/07 pela Ponte Jornalismo e, no mesmo dia, passaram a ser investigadas oficialmente pela Corregedoria (órgão fiscalizador) da Polícia Militar de São Paulo.

Para a Corregedoria da PM, não há dúvida de que as imagens são autênticas e não sofreram nenhum tipo de manipulação digital. Desde a revelação da ameaça do PM Coringa ao jovem negro, também morador da zona sul de São Paulo, a Corregedoria da PM tenta extrair metadados (conjunto de informações digitais padronizadas) das duas imagens, mas até hoje não foi possível rastrear os dados.

Caramante

PM Coringa patrulha o Jardim Ângela em um carro modelo Palio Weekend. Ele é negro e empunha arma com a mão esquerda

Como não conseguiram as extrair as informações das imagens até agora, os PMs da Corregedoria passaram a fazer um levantamento sobre o perfil dos quase 90 mil integrantes da Polícia Militar para separar aqueles que são negros e canhotos _em uma das imagens, o PM Coringa aparece empunhando a pistola .40 com a mão esquerda.

O militar travestido de palhaço também ostenta uma pulseira no braço direito, o mesmo com o qual segura o machado contra a cabeça do jovem negro. Para a Corregedoria, essa informação deixou de ter relevância após a divulgação das fotos, pois seria um elemento simples de identificação do militar e ele já deve ter se livrado do ornamento.

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Local da rua Isabel de Oliveira, onde PM Coringa ameaçou jovem negro com arma e machado

A partir da constatação da reportagem de que as imagens foram feitas na rua Isabel de Oliveira, a poucos metros do ponto final da linha de ônibus Cemitério Cerejeiras, a Corregedoria da PM fechará o cerco em policiais negros dos batalhões que atendem a área do Jardim Ângela.

Um dos batalhões investigados como base do PM Coringa será o 37º, onde atuavam os PMs Highlanders, assim chamados por executar pelo menos 12 jovens moradores do Jardim Ângela e decapitá-los, isso no ano de 2008.

Outro detalhe que serve para a Corregedoria descobrir a identidade do PM Coringa: ele circulava em um carro da PM modelo Palio Weekend e as rondas nesse tipo de veículo são feitas apenas por dois militares _um motorista e outro no banco passageiro. O autor das imagens é o parceiro de trabalho do PM travestido de palhaço.

Caramante

Jovem foi ameaçado pelo PM Coringa perto do ponto final de uma linha de ônibus

Assim que soube das imagens do PM Coringa, o secretário da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Mágino Alves Barbosa Filho, determinou que a Corregedoria da Polícia Militar investigasse o caso.

Barbosa Filho foi informado sobre a atuação do PM Coringa por Luiz Carlos Santos, membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), e garantiu não concordar com atitudes como as que são reveladas nas fotos.

A Polícia Militar informou, também após a divulgação das imagens, que “a instituição tomou conhecimento das imagens no dia 11 de julho e, imediatamente, a Corregedoria da PM abriu investigação, pois sugerem grave violação de direitos humanos”. A corporação afirmou, ainda, que, caso sejam confirmadas as irregularidades, os envolvidos poderão ser processados criminalmente e expulsos da Polícia Militar.

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